Coalizão lidera câmara temática de florestas, biodiversidade, agricultura e pecuária do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas

FBMC reuniao14mar

Foto: Luana Maia/Coalizão Brasil

A Coalizão Brasil participou da primeira reunião da Câmara Temática (CT) de Florestas, Biodiversidade, Agricultura e Pecuária do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), realizada no dia 14 de março, em Brasília. A Coalizão, a Embrapa e o ministério da Agricultura lideram essa câmara. Durante o encontro, o movimento sugeriu e se ofereceu para sistematizar as informações enviadas pelas organizações participantes da CT, como seus escopos de atuação e temas prioritários, para identificar objetivos em comum e sua relação com as metas brasileiras para o Acordo de Paris (NDC).

A Coalizão também alertou para a importância de avaliar se há temas que não estão sendo abordados, mas que possam ser de relevância para o grupo. Durante a reunião, Marcelo Furtado, facilitador do movimento, destacou a importância de a CT manter um olhar amplo sobre sua atuação. “O grupo deve estar atento à NDC brasileira, mas nada nos impede de ir além”, afirmou.

Diversos membros da Coalizão também estavam presentes à reunião, entre eles Agroicone, Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), Observatório do Clima, Sociedade Rural Brasileira e WRI Brasil.

André Guimarães, diretor executivo do Ipam, lembrou que é preciso haver integração das diferentes frentes de ação para implementar a NDC, além de uma atenção especial às oportunidades que suas metas trazem. “Podemos olhar as metas de Paris como investimento ou como custo. Cumpri-las vai custar dinheiro, mas pode representar oportunidade de negócios para o país.”.

Fábio Marques, da Ibá, também destacou a relevância da reunião da CT no contexto da NDC, bem como das políticas sobre mudança do clima, ressaltando alguns pontos que precisariam ser considerados. “É fundamental desenvolver ações e mecanismos capazes de promover a demanda por produtos e serviços de baixo carbono ou renováveis, como aqueles associados ao reflorestamento, à restauração e ao manejo sustentável no escopo da agricultura responsável”. Marques acredita, ainda, que a Coalizão pode dar uma contribuição importante para esse processo.

Ao final, foi definida a criação de três grupos de trabalho, com o objetivo de gerar insumos para os debates da CT e evitar que os diferentes temas sejam tratados de maneira isolada. Mariano Cenamo, pesquisador sênior do Idesam, será o facilitador do GT que tratará de financiamento. “A reunião de hoje foi bastante positiva, porque gerou, como encaminhamento de uma das agendas prioritárias da câmara, o debate sobre possíveis fontes de financiamento associadas aos mercados, utilizando offsets ou não, para a redução do desmatamento”. Segundo Cenamo, a inclusão do REDD+ como mecanismo de compensação de emissões do setor de aviação civil será um dos temas a ser discutido por esse novo GT no curto prazo. 

Para Rodrigo C.A. Lima, da Agroicone, essa primeira reunião de uma câmara temática do FBMC também foi importante por criar as bases para trabalhar com uma agenda de florestas e agropecuária de baixo carbono, em um fórum que faz o importante elo entre Presidência da República, órgãos do governo, sociedade civil e setor privado. “Os desafios para zerar o desmatamento ilegal, puxar a adequação ao Código Florestal com a agenda pós-CAR e a restauração, bem como dar valor para a floresta em pé, considerando projetos de REDD+, e o aprimoramento do Plano ABC são tópicos que serão intensamente debatidos ao longo de 2017”, afirmou.

A câmara também será importante para impulsionar a agricultura de baixo carbono, na opinião de Luiz Cornacchioni, diretor executivo da Abag. “Há uma aderência de temas com as iniciativas da Coalizão, em especial dos Grupos de Trabalho, e podemos construir juntos a tão almejada economia de baixo carbono no país”.

“A reunião foi um passo inicial importante para promover um diálogo adequado sobre a implementação dos compromissos climáticos do Brasil no que se refere a florestas e uso da terra e como tratar de temas urgentes como a disparada no desmatamento na Amazônia”, afirmou Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima. “Mas é necessário, ainda, entender como o resultado das discussões nesta e em outras câmaras será internalizado pelo governo federal, para que se possa prever o impacto desse esforço de transformar novamente o fórum em uma instância de diálogo estratégico.”

A CT de Florestas, Biodiversidade, Agricultura e Pecuária foi a primeira a se reunir das nove câmaras do FBMC. As demais são as de: Energia; Mobilidade e Transportes; Indústria; Cidades e Resíduos; Financiamento; Defesa e Segurança; Visão de longo prazo; e Ciência, Tecnologia e Inovação.