Coalizão marca presença na Assembleia Geral da Tropical Forest Alliance

TFA

Foto: Luana Maia/Coalizão

Entre os dias 18 e 22 de março, o Brasil recebeu a Assembleia Geral da Tropical Forest Alliance (TFA) 2020, encontro voltado a tratar do desmatamento nas cadeias produtivas. A programação incluiu diversos atores nacionais e internacionais e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura foi um deles.

Nos side events de 20 de março, que precederam a abertura oficial da assembleia, o GT Economia da Floresta Tropical apresentou ferramentas de rastreamento e certificação para ajudar compradores de madeira a verificar a origem de sua matéria-prima. À tarde, o GT Código Florestal apoiou o lançamento do Guia prático para a análise do atendimento ao Código Florestal, publicação voltada a empresas compradoras de commodities brasileiras, para ajudá-las a compreender a importância de monitorar o cumprimento do Código Florestal em suas cadeias de suprimentos.

No dia seguinte, Marcelo Furtado, facilitador da Coalizão Brasil, participou da plenária de abertura da Assembleia Geral da TFA. Na mesa, estavam presentes representantes da Embrapa, Sociedade Rural Brasileira, Gordon & Betty Moore Foundation, Cargill e BNDES, com moderação da Proforest. A abertura contou também com as falas do ministro do meio ambiente, Sarney Filho, e do ministro da agricultura da República do Congo, Henri Djombo.

“Como um dos maiores produtos de alimento do mundo, o Brasil entende a necessidade de desenvolver práticas agrícolas sustentáveis”, afirmou Sarney. O ministro disse que a fiscalização continuará sendo, nos próximos anos, a atividade central para reduzir as taxas de desmatamento. E, juntamente às ações de comando e controle, Sarney indica que “é preciso que se valorize a floresta em pé, que se dê alternativas econômicas que façam com que a pobreza seja combatida e as pessoas sejam incluídas”. Por isso, o Sistema Nacional de Controle da Origem de Produtos Florestais (Sinaflor), lançado em março, e o Cadastro Ambiental Rural (CAR) representam avanços importantes para combater a ilegalidade da madeira nas cadeias de produção e conter o desmatamento dos biomas brasileiros.

Na mesa de debate, Marcelo Vieira, presidente da Sociedade Rural Brasileira, disse que o Brasil precisa desenvolver novos modelos de agricultura, para não depender apenas de algumas commodities. “Precisamos vender um sistema integrado e fazer uma análise completa da propriedade. Em todas as propriedades, há  um percentual de reserva legal e isso deve ser vendido como um bom exemplo para o mundo”, afirmou Vieira.                       

Mauricio Lopes, presidente Embrapa,  destacou o papel da ciência no auxílio à construção de políticas públicas importantes, como o Plano ABC, que, por sua vez, “estimula o uso de tecnologias sustentáveis, como sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta”.                         

Leandro Fleck, da Gordon and Betty Moore Foundation, mencionou o desafio de catalisar os conhecimentos coletivos e torná-los mais acessíveis para viabilizar uma produção responsável. A fundação tem uma iniciativa nesta área, chamada Collaboration on Forests and Agriculture (CFA), que busca combater a degradação de florestas e outros habitats naturais resultantes da produção de carne e soja na Amazônia e no Cerrado.

Para que as diferentes políticas de combate ao desmatamento sejam realizadas, o financiamento é parte fundamental da estratégia. Por isso, o BNDES analisa e identifica projetos prioritários que devem ser financiados na região. O banco possui ações de inteligência e monitoramento do desmatamento, segundo Juliana Santiago, Chefe do Departamento do Fundo Amazônia do BNDES.

O setor privado tem também interesse na manutenção das florestas, que fornecem as matérias-primas básicas para seus negócios. Mark Murphy, diretor de sustentabilidade da Cargill, mencionou a importância de trabalhar conjuntamente com outros atores. “Hoje, somos parceiros do Greenpeace e a opinião deles sobre como lidamos com a sociedade civil é muito importante para nós”, comenta Murphy.

Trabalhar em conjunto pode não ser simples. O facilitador da Coalizão mencionou a importância da construção de espaços de confiança entre os diferentes atores envolvidos nessa agenda. Para conseguir a “licença social”, as organizações devem desenvolver ações de forma conjunta, mas alguns atores não estão preparados para isso.  A complexidade faz parte desse desafio. “Todo brasileiro sabe que o aumento do desmatamento não é uma boa notícia, mas sabe também que o desmatamento é apenas um dos indicadores que irá nos dizer se somos sustentáveis ou não. A sustentabilidade vai muito além disso”, conclui Furtado.