A Coalizão e as eleições

O Brasil chega às eleições de 2026 diante de uma escolha fundamental: como crescer, gerar renda, garantir segurança alimentar, hídrica e energética e ampliar sua contribuição para o abastecimento global, ao mesmo tempo em que protege a população dos impactos crescentes da crise climática, da degradação ambiental e da perda da biodiversidade.

Em um cenário internacional marcado por incertezas políticas, disputas comerciais e pressões sobre a segurança energética e alimentar, o país reúne uma vantagem rara: abriga a maior floresta tropical do mundo, uma das maiores biodiversidades do planeta e uma agropecuária altamente produtiva, com capacidade de ampliar sua competitividade a partir do uso sustentável da terra.

Para que essa vantagem se transforme em estratégia de desenvolvimento, é preciso tratar a economia do uso da terra como uma agenda central para o próximo ciclo político. Segurança jurídica no campo, combate ao desmatamento ilegal e aos crimes ambientais, implementação do Código Florestal, rastreabilidade da cadeia de suprimentos, recuperação de áreas degradadas, restauração, bioeconomia, crédito rural e valorização da vegetação nativa são temas estratégicos para a geração de renda, a atração de investimentos, o acesso a mercados e a reputação internacional do Brasil.

A Coalizão apresenta suas propostas aos candidatos às eleições de 2026 com o objetivo de contribuir para programas de governo e mandatos comprometidos com uma agenda capaz de integrar produção e conservação, eficiência econômica e responsabilidade ambiental, segurança jurídica e combate à ilegalidade.

As propostas estão organizadas em três frentes complementares: garantir as bases para crescer com segurança; produzir mais e melhor; e gerar valor com a natureza. Elas partem da premissa de que o Brasil já dispõe de conhecimento, instrumentos e experiências para avançar nessa direção. O desafio agora é dar escala, coordenação e continuidade a essas agendas, transformando avanços em políticas de Estado, com foco em resultados, estabilidade regulatória e capacidade de implementação.

Veja abaixo as propostas.

Nossas propostas

A Coalizão Brasil apresenta aos candidatos às eleições de 2026 uma agenda de desenvolvimento baseada no uso sustentável da terra, na segurança jurídica, na valorização da produção responsável e na geração de valor com a natureza.

As propostas partem de uma premissa central: o Brasil tem condições de ampliar sua produção, fortalecer sua competitividade internacional, atrair investimentos e gerar renda sem avançar sobre novas áreas de vegetação nativa. Para isso, é preciso combater a ilegalidade, dar escala a políticas públicas já existentes ou em construção, modernizar instrumentos produtivos e financeiros e reconhecer o valor econômico dos serviços ecossistêmicos.

A estratégia está organizada em três eixos complementares: garantir as bases para crescer com segurança; produzir mais e melhor; e gerar valor com a natureza.

Eixo 1: Garantir as bases para crescer com segurança

O primeiro eixo reúne propostas para ampliar a segurança jurídica, reduzir riscos, fortalecer o controle territorial e criar condições estruturantes para o desenvolvimento sustentável do país.

1. Erradicar o desmatamento ilegal, estancar a perda de vegetação nativa e fortalecer o manejo integrado do fogo

Zerar o desmatamento ilegal, desestimular a supressão legal de vegetação nativa e combater queimadas até 2030 são medidas estratégicas para proteger a economia, a segurança no campo e a qualidade de vida da população. Essa agenda exige atuação permanente do Estado, integração entre União e governos subnacionais, inteligência pública e protocolos de resposta rápida contra crimes ambientais.

No caso do fogo, é fundamental promover o manejo integrado, com engajamento de proprietários rurais, comunidades locais e órgãos públicos, respeitando as especificidades de cada território.

2. Promover o ordenamento fundiário e acelerar a implementação do Código Florestal

O ordenamento territorial é condição estruturante para o desenvolvimento do país. Avançar na destinação de florestas públicas, na regularização fundiária, na demarcação de Terras Indígenas e na implementação célere, eficiente e desburocratizada do Código Florestal é decisivo para reduzir conflitos, ampliar a segurança jurídica e destravar investimentos.

A validação dos Cadastros Ambientais Rurais (CARs) e a execução dos Programas de Regularização Ambiental (PRA) são etapas fundamentais para assegurar a regularidade ambiental dos imóveis rurais e transformar ativos ambientais em oportunidades econômicas.

Eixo 2: Produzir mais e melhor

O segundo eixo propõe modernizar instrumentos produtivos, financeiros e tecnológicos para ampliar a produtividade, a resiliência climática e a sustentabilidade da agropecuária brasileira.

3. Instituir a rastreabilidade socioambiental para ampliar mercados e valorizar a produção sustentável

Em um cenário internacional cada vez mais rigoroso, a rastreabilidade socioambiental deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a ser um diferencial competitivo para o Brasil. Ao reconhecer e diferenciar a produção responsável, ela reduz riscos comerciais e reputacionais, protege exportações e fortalece a posição do país como fornecedor confiável.

Para que essa agenda seja implementada em escala, é necessário avançar na infraestrutura pública digital, com integração e transparência de dados fundiários, fiscais, ambientais e sanitários.

4. Ampliar o financiamento rural para estimular a produção sustentável

Crédito, seguro rural e outros instrumentos financeiros são essenciais para dar previsibilidade ao produtor, proteger a renda no campo e viabilizar investimentos produtivos. Modernizá-los com critérios de sustentabilidade, conformidade ambiental e adaptação climática é uma medida estratégica para unir produtividade, segurança e competitividade.

A Coalizão defende que o financiamento rural estimule práticas sustentáveis e reconheça produtores que cumprem a legislação ou avançam na regularização ambiental e fundiária.

5. Expandir boas práticas agropecuárias e reduzir vulnerabilidades produtivas

O Brasil tem condições de liderar uma agropecuária competitiva, resiliente e de baixa emissão de carbono. A expansão de práticas como plantio direto, uso de bioinsumos, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens degradadas e tecnologias de baixa emissão fortalece a produtividade, melhora o solo, reduz emissões e amplia a adaptação climática.

Essa agenda também contribui para reduzir vulnerabilidades externas, como a dependência de fertilizantes importados, e deve ser apoiada por financiamento, assistência técnica e extensão rural, especialmente para pequenos produtores e agricultores familiares.

6. Valorizar as cadeias nacionais para a produção de biocombustíveis e outros derivados da biomassa

A produção de biocombustíveis ocupa posição estratégica para o desenvolvimento nacional, ao articular segurança energética, dinamismo econômico, inovação e valorização da agropecuária. A Coalizão defende investimentos em novas rotas tecnológicas, como biodiesel, combustíveis sustentáveis de aviação e matérias-primas alternativas.

Além dos biocombustíveis, o Brasil deve ampliar a produção de derivados da biomassa capazes de substituir insumos de origem fóssil, como solventes, fertilizantes e polímeros. Essa agenda pode estimular a recuperação produtiva de áreas degradadas e reduzir a pressão sobre a vegetação nativa.

Eixo 3: Gerar valor com a natureza

O terceiro eixo propõe consolidar uma economia capaz de reconhecer, remunerar e ampliar o valor da vegetação nativa, dos ecossistemas conservados e do uso sustentável da biodiversidade.

7. Aprimorar instrumentos que geram valor econômico à vegetação nativa

Mercados de carbono e pagamento por serviços ambientais são fundamentais para reconhecer o valor econômico da vegetação nativa, remunerar quem conserva e recuperar ecossistemas essenciais para a segurança climática, hídrica e produtiva do país.

A consolidação desses mecanismos depende de segurança jurídica, critérios claros, integridade ambiental e capacidade de implementação. Esses instrumentos podem destravar recursos públicos e privados e beneficiar produtores rurais, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares.

8. Consolidar uma nova economia florestal para o país

A economia florestal deve ser compreendida como eixo estratégico de desenvolvimento, capaz de articular produção, conservação e uso sustentável dos recursos naturais. Restauração, manejo florestal sustentável, concessões florestais, silvicultura de espécies nativas e bioeconomia podem dinamizar economias regionais, estruturar novas cadeias produtivas e gerar oportunidades em territórios que conservam e produzem a partir da floresta.

Com segurança jurídica, capacidade institucional, regularização fundiária e financiamento adequado, o Brasil pode ampliar a escala dessas atividades, atender à demanda por produtos florestais sustentáveis, reduzir a pressão sobre ecossistemas naturais e fortalecer uma economia baseada na biodiversidade e na sociobiodiversidade.

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