Rede multissetorial defende estratégia para integrar produção e conservação e ampliar competitividade do país no cenário global

A Coalizão Brasil lançou nesta quarta-feira (17) o documento “Propostas da Coalizão Brasil aos candidatos às eleições de 2026”. A publicação reúne medidas voltadas para subsidiar programas de governo e candidaturas à Presidência, aos governos estaduais e ao Congresso Nacional, com o objetivo de colocar a economia do uso da terra no centro da agenda eleitoral.
O documento será entregue nos próximos meses a coordenadores de campanha e representantes de candidaturas e partidos políticos. A Coalizão defende que temas como segurança jurídica no campo, implementação do Código Florestal, rastreabilidade da cadeia de suprimentos, crédito rural, recuperação de áreas degradadas, restauração, bioeconomia e combate ao desmatamento ilegal devem ser tratados como prioridades econômicas e estratégicas para o país.
Segundo a rede, o Brasil reúne condições únicas para liderar uma economia de baixo carbono baseada no uso sustentável da terra. O país abriga a maior floresta tropical do mundo, uma das maiores biodiversidades do planeta e uma agropecuária altamente produtiva. Para que essa vantagem se converta em competitividade, atração de investimentos e acesso a mercados, no entanto, a Coalizão avalia que o próximo ciclo político deve priorizar a implementação de agendas já amplamente discutidas pelos setores produtivo, financeiro, científico e socioambiental.
“A conciliação entre produção agropecuária e conservação ambiental é uma bandeira histórica da Coalizão. O diálogo entre esses setores permitiu organizar propostas em três frentes: garantir as bases para crescer com segurança, produzir mais e melhor, e gerar valor com a natureza”, explica Paulo Pianez, cofacilitador da Coalizão. “É preciso reconhecer o clima estável e os serviços ecossistêmicos como ativos econômicos concretos, e não temas apartados da agenda produtiva”.
As propostas da rede
A publicação organiza as propostas em três eixos complementares. A estratégia parte da premissa de que o Brasil precisa combater a ilegalidade, ampliar a segurança jurídica e modernizar seus instrumentos produtivos e financeiros para transformar ativos ambientais em oportunidades econômicas.
Eixo 1: Garantir as bases para crescer com segurança
O primeiro eixo trata das condições necessárias para ampliar a segurança jurídica, reduzir riscos e fortalecer a competitividade do país. Entre as medidas propostas estão o combate ao desmatamento ilegal e aos crimes ambientais, a aceleração da implementação do Código Florestal, a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o avanço dos Programas de Regularização Ambiental (PRA), o ordenamento fundiário e a demarcação de Terras Indígenas.
A Coalizão também defende a integração de bases de dados e o fortalecimento da inteligência pública para enfrentar a ilegalidade no campo. Segundo o documento, essas medidas são essenciais para reduzir riscos comerciais, facilitar o acesso a crédito, atrair investimentos e proteger a reputação dos produtos brasileiros nos mercados nacional e internacional.
Eixo 2: Produzir mais e melhor
O segundo eixo reúne propostas para ampliar a produtividade, a resiliência climática e a sustentabilidade da agropecuária brasileira. Uma das prioridades é a implementação da rastreabilidade socioambiental em escala, apresentada como um diferencial competitivo para o Brasil diante de novas exigências de mercado e regulações internacionais.
O documento também propõe modernizar o financiamento rural, incorporando critérios de sustentabilidade e de conformidade ambiental ao acesso a crédito, seguro e outros instrumentos financeiros. Além disso, defende a expansão de práticas já consolidadas, como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens degradadas e tecnologias de baixa emissão de carbono.
Eixo 3: Gerar valor com a natureza
O terceiro eixo propõe consolidar instrumentos econômicos capazes de remunerar quem conserva, recupera e usa de forma sustentável os recursos naturais. Entre os mecanismos destacados estão mercado de carbono, pagamento por serviços ambientais, restauração de ecossistemas, silvicultura de espécies nativas, concessões florestais e bioeconomia.
A estratégia busca atribuir valor econômico à vegetação nativa e criar novas oportunidades de renda para produtores rurais, comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares e empresas. Para a Coalizão, transformar ativos ambientais em oportunidades de negócio pode fortalecer a economia brasileira, reduzir desigualdades e posicionar o país como liderança global na agenda de clima, florestas e agricultura.
“O Brasil tem a oportunidade de transformar sua vantagem natural em uma estratégia de desenvolvimento de Estado”, assinala Karen Oliveira, cofacilitadora da Coalizão. “As propostas buscam dar escala e continuidade a políticas públicas já existentes ou em construção, com foco em resultados, segurança regulatória e competitividade.”
Para Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico da Coalizão, as eleições são uma oportunidade para discutir como o Brasil pode fortalecer sua liderança agroambiental em um cenário global cada vez mais atento à sustentabilidade. “O país já possui conhecimento, instrumentos e experiência para avançar nessa direção. O desafio agora é transformar essas agendas em prioridade política”, destaca.
Na publicação, a Coalizão se coloca à disposição dos candidatos e das equipes de campanha para contribuir com a construção de convergências e com a formulação de políticas públicas voltadas à produção sustentável, à conservação ambiental e ao desenvolvimento econômico do país.
Acesse aqui a página especial da rede com suas propostas para as próximas eleições.