O debate em torno das mudanças climáticas — e da necessidade mais do que clara de traçar um futuro imediato sustentável, de qualidade e com oportunidade para todos — intensificou-se neste segundo semestre de 2015. A Coalizão participou de algumas das mais importantes arenas de diálogo sobre esses temas, ressaltando seu caráter multissetorial e apresentando suas propostas para contribuir para que o Brasil se torne protagonista no enfrentamento das mudanças climáticas e na criação de uma economia de baixo carbono. A seguir, está um resumo dos principais debates que aconteceram em setembro.
O enfoque integrado do uso do solo — dentro do conceito de paisagem, envolvendo florestas e agricultura —, como uma das soluções mais efetivas para deter o aquecimento global, foi o tema central do congresso promovido pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
O evento apontou para a importância do esforço conjunto das partes envolvidas com florestas e agricultura para encontrar soluções para os desafios do clima. “A Coalizão mostrou que o Brasil está no caminho certo, por ter possibilitado justamente a agregação dos múltiplos atores em torno de uma pauta comum”, conta Carlos Roxo, membro do Comitê de Sustentabilidade do Conselho da Fibria. “Por essa razão, a Coalizão passou a ser citada como exemplo a ser seguido por outros países em vários eventos do Congresso.”
Também estiveram no evento Roberto Waack, da Amata, Mike May, da Suzano, Ivone Namikawa, da Klabin, Miguel Calmon, da IUCN (International Union for Conservation of Nature), e Elizabeth Carvalhaes, da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores). Além de compartilharem suas ideias e conhecimentos sobre o tema das florestas, eles apresentaram a Coalizão e suas propostas.
Em encontro da Coalizão com a FAO, o órgão da ONU demonstrou interesse nos mecanismos de cooperação Sul-Sul para mitigação das mudanças climáticas. “A FAO entende que os países presentes nesse hemisfério ganharam importância e têm impacto direto nas propostas para mitigação das mudanças climáticas, particularmente considerando os recursos renováveis, as florestas e o uso da terra”, explica Elizabeth Carvalhaes. “Esperamos contar com o apoio da FAO e das Nações Unidas para articulação e reforço internacional à iniciativa ganhando, dessa forma, visibilidade e força para agirmos em prol de uma agenda efetiva e propositiva de ações para o clima.”
Fábio Marques, diretor da PlantarCarbon, apresentou a Coalizão durante o painel “Carbon Pricing in Latin America” dentro desse fórum anual sobre mercados de emissão de carbono, políticas de baixo carbono e soluções tecnológicas. Marques detalhou as principais propostas da Coalizão relacionadas aos mecanismos de valorização do carbono, à valorização direta de energia e produtos renováveis e à implantação de um mecanismo global de pagamento pelos serviços ambientais dos biomas brasileiros.
Líderes políticos, empresariais e da sociedade civil reunidos nesse que é um dos principais eventos pré-conferência de Paris concordaram em unir esforços para garantir um acordo ambicioso em dezembro. A Coalizão participou de encontros e palestras com o BTeam e com o Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente.
O grupo, que contava com José Penido, presidente do conselho da Fibria Celulose, Celina Carpi, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, e Guilherme Leal, copresidente do conselho da Natura, entre outros, também acompanhou de perto o anúncio da INDC brasileira, pela presidente Dilma Rousseff na sede da ONU, no dia 27. Dali mesmo, enviaram suas impressões e observações para contribuir com a avaliação inicial que a Coalizão fez sobre as contribuições brasileiras.
A Coalizão participou de um painel onde as principais iniciativas empresarias pelo clima — CDP, Cebds e Rede Brasileira do Pacto Global — apresentaram o que pretendem pleitear na COP 21. No painel, em que a questão da colaboração foi mencionada várias vezes, Roberto Waack, presidente do conselho da Amata, falou pela Coalizão. Ele ressaltou que uma das principais características do movimento é o diálogo aberto entre as várias vozes participantes. Também falou da importância, especialmente na área de uso da terra, de se migrar de estratégias independentes para estratégias de interdependência, uma vez que capitais naturais como água e solo são obviamente conectados. Lembrou, porém, que a sociedade ainda tem dificuldade em entender isso.
Com o apoio da Climate and Land Use Alliance (CLUA), o jornal promoveu dois dias de debates, sobre as estratégias para eliminar o desmatamento no Brasil e a emissão de gases de efeito estufa por ele causada. Um dos painéis foi sobre a importância do Desmatamento Zero na Conferência de Paris, com a participação de Carlos Rittl, do Observatório do Clima, Everton Lucero, do Ministério das Relações Exteriores, e Roberto Waack, da Amata.
Promovido pela Andi – Comunicação e Direitos e pela Climate and Land Use Alliance (CLUA), este evento foi uma qualificação para jornalistas, para que entendam os principais pontos em torno das mudanças climáticas e a importância da Conferência de Paris. Ana Carolina Szklo, gerente de Projetos e Conteúdo do Cebds, foi uma das palestrantes.