Iuri Cardoso explica que prioridade da rede será garantir continuidade de pautas não finalizadas no próximo ciclo, independentemente de quem forem os candidatos eleitos

O ano de 2025 abriu importantes janelas de oportunidade para a atuação da Coalizão Brasil junto a tomadores de decisão, com potencial de incidência sobre diversas políticas públicas, avalia Iuri Cardoso, coordenador de Advocacy da rede. Pela primeira vez a atuação da área foi orientada por uma publicação, a “Agenda Prioritária”, que elencou projetos e iniciativas do Legislativo e do Executivo federal que seriam monitorados de perto pelo movimento.
Com o encerramento do ciclo, Cardoso analisa, em entrevista, as agendas que ganharam tração diante do cenário climático global, assim como as principais entregas do governo brasileiro — da consolidação do Plano Clima à implementação da Taxonomia Sustentável. O coordenador de Advocacy destaca, ainda, os desafios que persistem e por que em 2026, ano eleitoral, a estratégia da Coalizão se voltará à perenidade das políticas de Estado.
Como a Agenda Prioritária da Coalizão foi estruturada e qual foi o papel da COP 30 no avanço dessas propostas em 2025?
A agenda foi construída para dar foco às nossas entregas, resgatando propostas em que já vínhamos trabalhando ao longo dos últimos anos. Buscamos potencializar o que permitiria o avanço de discussões dentro das oportunidades dadas pelo governo. E a COP 30 funcionou como uma dessas janelas de oportunidade. O foco não foi o evento em si, mas a propulsão que ele deu às pautas ao longo do ano. A COP 30 permitiu que o Brasil avançasse em agendas para servir de exemplo a outros países, como o direcionamento de recursos com critérios sustentáveis via Taxonomia.
Dentre os diversos temas acompanhados pela Coalizão, quais foram os principais avanços técnicos e políticas públicas que ganharam tração?
Tivemos avanços muito significativos. Destaco, novamente, as discussões em torno do Plano Clima, que é essencial para mostrar como o Brasil vai implementar sua meta climática (NDC). Além disso, tivemos a entrega do Plano Safra 2025/2026 — em que nossas propostas pautam debates nos ministérios, mesmo quando não são incorporadas de imediato —, o avanço na regulamentação do mercado regulado de carbono e os números do Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa), que apresentaram um avanço interessante na política de restauração.
Os destaques que você mencionou indicam que as pautas avançaram mais no Executivo do que no Legislativo. A que se deve essa diferença de desempenho?
A Coalizão é reconhecida pelo governo como uma fonte importante de debate técnico e proposições, o que nos dá uma abertura grande junto a suas diferentes instâncias. Muitos membros do governo já conhecem o trabalho da rede. Já no Legislativo, o processo é menos sequenciado e o timing é o nosso maior desafio, pois a aprovação de uma lei pode ser muito morosa ou extremamente rápida.
Com a chegada de 2026, um ano eleitoral e com calendário mais curto, quais são as perspectivas e o foco estratégico da rede?
Esperamos que 2026 seja um ano de entregas e de finalização de projetos por parte dos ministérios. No Legislativo, ficaremos atentos, pois o ano eleitoral pode gerar votações aceleradas. Estrategicamente, o foco da Coalizão neste ano se voltará para as eleições e os próximos mandatos. Entendemos que faz mais sentido trabalhar no desenvolvimento de propostas que guiarão os futuros governantes, garantindo que as pautas que não foram finalizadas agora sejam continuadas no próximo ciclo, independentemente de quem ocupe as cadeiras no Executivo e no Legislativo.