09/2026

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Novo espaço da Coalizão conecta agendas para gerar valor econômico a partir das florestas

Núcleo Temático reunirá organizações da rede para desenvolver estratégias de atuação em bioeconomia, restauração, silvicultura de espécies nativas e concessões florestais

O Brasil tem potencial para liderar atividades calcadas em soluções baseadas na natureza, incluindo florestas bem conservadas e manejadas. Foto: Divulgação/Carlos Tuyama

Bioeconomia, silvicultura de espécies nativas, restauração e concessões florestais estão entre as frentes que serão trabalhadas pelo Núcleo Temático Nova Economia Florestal, da Coalizão Brasil. O núcleo será um dos quatro novos espaços da rede voltados à articulação entre seus membros, ao aprofundamento de debates técnicos e à construção de propostas para o país.

O setor florestal não é novidade na economia brasileira. Há décadas, o país conta com o desenvolvimento do plantio de espécies exóticas, a exemplo de pinus e eucalipto, e ações de reflorestamento. Agora, no entanto, novas prioridades e oportunidades ganharam espaço, impulsionadas pelos desafios impostos pela crise climática e pela perda de biodiversidade.

“O Brasil é um país de vocação florestal e reconhece esse potencial há bastante tempo. Agora, por conta das mudanças climáticas e da necessidade de reduzir emissões de carbono e a dependência de combustíveis fósseis, essa agenda ganhou nova força”, avalia Juliana Simões, líder da Força-Tarefa Bioeconomia da Coalizão e gerente adjunta de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da The Nature Conservancy (TNC Brasil).

Miguel Calmon, colíder da Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão e membro do Programa de Pesquisa & Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN), reforça essa expectativa: “O país tem um enorme potencial para investimentos florestais: possui milhões de hectares de áreas degradadas com aptidão florestal, décadas de experiência em silvicultura de espécies exóticas e, agora, várias políticas públicas que demandam e incentivam restauração florestal e silvicultura de nativas em larga escala”.

Segundo Simões, o momento é favorável para novas atividades baseadas na floresta. Após anos de construção, o país conta atualmente com políticas públicas, linhas de financiamento e instrumentos que beneficiam a bioeconomia, a restauração e a produção de madeira e produtos não madeireiros. Entre os exemplos estão a regulamentação dos mercados de carbono, os avanços nas concessões florestais, a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e o programa Eco Invest Brasil, do Ministério da Fazenda.

Nesse processo, a bioeconomia ganha espaço como uma das frentes capazes de gerar valor econômico a partir da natureza.  “No Plano de Transformação Ecológica, há um eixo estratégico para bioeconomia, e existe um novo plano nacional para a atividade. Vemos a inclusão da bioeconomia em programas de crédito. Em termos de política pública, demos um salto. A bioeconomia vem trazendo experimentos econômicos, inovação e novas soluções. O resultado virá daqui a alguns anos”, afirma Simões.   

Calmon também destaca o cenário promissor para a silvicultura de espécies nativas. “A demanda mundial por madeira para os mais diversos fins tem aumentado nos últimos anos e vai escalar ainda mais por causa da transição para uma economia de baixo carbono”, ressalta.

O colíder ressalta que a silvicultura de nativas também pode ser desenvolvida em áreas degradadas e de baixa aptidão agrícola, contribuindo para recuperar o solo e aumentar o sequestro de carbono. Segundo ele, os mercados de carbono já vêm ajudando a movimentar investimentos nessa área.

“O mercado de carbono voluntário estimulou, nos últimos cinco anos, o estabelecimento de startups focadas na geração de crédito de carbono através da restauração florestal, silvicultura de nativas, sistemas agroflorestais e integrados. Bilhões de reais já estão sendo empregados por meio de instituições financeiras, investidores de impacto e institucionais, empresas e produtores rurais”, afirma.

Para Daniel Bentes, diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas Concessionárias Florestais (Confloresta), novas oportunidades econômicas em florestas também contribuem para estimular atividades que, além de gerar renda, contribuem para reduzir a ocorrência de atividades ilícitas.

“Uma nova economia florestal pode dar sustentação econômica para uma região, de modo a inibir a ocorrência de atividades ilícitas no território”, sublinha. Nesse cenário, as concessões florestais trazem empresas “que realizam atividades devidamente licenciadas e que geram emprego de qualidade e compatível com a potencialidade da região”.

Segundo Bentes, as concessões também podem ser aliadas de cadeias de produtos da sociobiodiversidade, mobilizando o setor privado em parcerias com comunidades.

Para que essas oportunidades ganhem escala, os líderes da Coalizão apontam desafios que ainda precisam ser enfrentados. Entre eles estão a regularização fundiária, necessária para dar segurança jurídica às atividades, e a continuidade de políticas públicas no longo prazo.

“Descontinuidade é um dos principais fatores que faz com que essa agenda ande muito lentamente”, afirma Simões. “Como sociedade civil, precisamos pressionar para que os instrumentos e políticas permaneçam e se tornem de longo prazo, independentemente de quem está no governo.”

Outro desafio é desenvolver mercados para a diversidade de bens e cadeias dessa economia florestal, da sociobiodiversidade à madeira. Para isso, será necessário construir arranjos pré-competitivos e investir em infraestrutura e logística que viabilizem a produção, o escoamento e o acesso a mercados.

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