12/2024

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Brasil deve dar exemplo e unir agendas de clima e biodiversidade na COP 30

Painel, que aconteceu na Plenária da Coalizão em 2024, reuniu especialistas para discutir estratégias de fortalecimento do país como liderança nos temas

Participantes de debate: da esquerda para a direita, Renata Piazzon (Coalizão, moderadora), Pedro de Camargo, Ana Toni (MMA), Caroline Prolo (Fama re.capital), Andreia Coutinho Louback (Centro Brasileiro de Justiça Climática) e Maria Netto (iCS). Foto: Luis Felipe Romano

A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP 30), que acontecerá em 2025 em Belém (PA), marcará os 10 anos do Acordo de Paris e traz ao Brasil a responsabilidade por impulsionar o comprometimento das demais nações com o clima e, ao mesmo tempo, posicionar-se à frente dessa agenda. Essa foi a conclusão dos participantes do painel “Caminhos para a COP 30: Estratégias do Brasil para a liderança climática global”, realizado na 2ª Plenária de 2024 da Coalizão, no último dia 5, em São Paulo.

Com mediação de Renata Piazzon, cofacilitadora da rede, o painel teve a participação de representantes dos setores público e privado, bem como de organizações da sociedade civil. Ana Toni, secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), enfatizou a necessidade de que o país reforce a incorporação de métodos de captura de carbono em sua agropecuária. Esta estratégia, segundo ela, tornaria o Brasil uma referência internacional em mitigação de emissões. “O agro é um capturador de carbono, portanto, não é problema, é solução”, assinalou.

Pedro de Camargo Neto, consultor empresarial e integrante do Grupo Estratégico da Coalizão, apontou que as metas climáticas brasileiras precisam ser mais ambiciosas. Criticou, assim, o prazo estabelecido pela NDC brasileira para a erradicação do desmatamento ilegal – até 2030 –, reivindicando urgência no combate aos crimes ambientais. “O Brasil pode fazer mais e é o que o momento exige. Nós precisamos mobilizar a sociedade por uma ambição maior e, além disso, ter mais transparência em relação a como alcançar as metas.”

Maria Netto, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), reforçou que o país precisa estabelecer uma sinergia entre as agendas de clima e biodiversidade na COP 30. “As duas agendas estão, por sua vez, vinculadas à agenda de desenvolvimento, porque não é possível separá-las da economia real. Para promover esse desenvolvimento, em curto prazo, precisamos escalar as soluções baseadas na natureza”, defendeu.

Já Andreia Coutinho Louback, diretora-executiva do Centro Brasileiro de Justiça Climática, elegeu a justiça climática e o racismo ambiental como pautas prioritárias para a liderança do país, defendendo a inclusão de comunidades mais vulneráveis no debate. “A crise climática é uma agenda de enfrentamento às desigualdades estruturais”, ressaltou.

A advogada Caroline Prolo, sócia da Fama re.capital e cofundadora da LACLIMA, ressaltou que o Brasil deve, na presidência da COP 30, buscar a superação da dicotomia entre países ricos e em desenvolvimento, promovendo um multilateralismo climático unificado. “O melhor resultado possível para a conferência, em Belém, é que o Brasil seja capaz de desatar o impasse que essa divisão causa”, concluiu.

Assista à íntegra da 2ª Plenária 2024 e do painel aqui.

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