06/2026

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Clima, biodiversidade e cadeias sustentáveis pautam atuação internacional da Coalizão

Rede se reuniu com o Itamaraty e a Proforest China para tratar de rastreabilidade e contribuições brasileiras às próximas convenções globais

Reunião com Proforest China abriu espaço de diálogo sobre a agenda entre o Brasil e o país asiático em temas como commodities com risco de desmatamento e rastreabilidade. Foto: Divulgação

À medida que avançam as discussões globais sobre clima, biodiversidade e produção sustentável, cresce também a importância de fortalecer o diálogo entre governos, setor privado e sociedade civil. Nesse contexto, a Coalizão Brasil participou, nas últimas semanas, de reuniões voltadas ao intercâmbio com atores chineses e ao alinhamento das prioridades brasileiras para as próximas conferências internacionais sobre clima e biodiversidade.

Em 9 de junho, a Coalizão participou de uma reunião com representantes da Proforest China para abrir um espaço de diálogo sobre a agenda China-Brasil relacionada a cadeias de commodities com risco de desmatamento, rastreabilidade e oportunidades de cooperação.

Membro da Coalizão, a Proforest é uma organização internacional que atua na promoção de cadeias produtivas responsáveis, apoiando empresas, governos e outros atores na implementação de compromissos socioambientais e de rastreabilidade.

Compareceram ao encontro representantes da Coalizão, de organizações membro da rede e da Proforest. Pela Coalizão, estiveram presentes a gerente executiva, Carolle Alarcon, e a coordenadora de Relações Institucionais, Tainah Godoy. Também estiveram presentes André Guimarães (Ipam), Fernando Sampaio (Rede de Inteligência em Agricultura e Clima), Juliana Lopes (Amaggi), Ricardo Nissen (TNC Brasil) e Fernando Zelner e Simone Gonçalves (Abiec). Representando a Proforest, participaram Jian Wan, da Proforest China, e Isabella Freire, Louise Cavalcante, Jane Lino e Cecília Korber, da Proforest América Latina. Guimarães, Sampaio e Lopes integram o Grupo Estratégico da Coalizão, e Isabella Freire é colíder da Força-Tarefa de Rastreabilidade e Transparência.

Durante o encontro, os participantes discutiram a importância de a Coalizão acompanhar de forma mais sistemática os movimentos da China na agenda de sustentabilidade, especialmente considerando o peso da relação comercial entre os dois países para cadeias como soja e pecuária.

A China é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil e o maior destino das exportações brasileiras de carne bovina e soja. A crescente atenção do mercado chinês a temas como rastreabilidade, conformidade socioambiental, segurança alimentar e transparência nas cadeias de suprimento tem ampliado a relevância do diálogo entre os dois países sobre produção sustentável.

Ao mesmo tempo, iniciativas voltadas à redução de riscos de desmatamento e à verificação da origem de produtos ganham espaço entre empresas, associações setoriais e compradores chineses, reforçando a necessidade de cooperação e troca de informações entre os diferentes elos das cadeias produtivas.

O encontro também apontou a possibilidade de organizar uma agenda de qualificação e intercâmbio com as forças-tarefa da Coalizão.

Para Carolle Alarcon, a iniciativa pode fortalecer o intercâmbio entre os dois países em torno de soluções para cadeias produtivas mais sustentáveis.

“A Coalizão reúne empresas, organizações da sociedade civil e instituições de pesquisa que atuam diretamente nos desafios e oportunidades das cadeias agropecuárias brasileiras. Esse espaço de diálogo com a China pode contribuir para aproximar experiências, compartilhar conhecimento e identificar agendas de interesse comum capazes de fortalecer a produção sustentável, a rastreabilidade e a competitividade do Brasil nos mercados internacionais.”

Reuniões sobre clima e biodiversidade no Itamaraty

Em outra frente da agenda internacional, a Coalizão participou de reuniões com os departamentos de Clima e Biodiversidade do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em ambos os encontros, o objetivo principal foi conhecer as prioridades do governo para as Conferências das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que acontece em outubro, na Armênia, e do Clima, que será realizada em novembro, na Turquia, além de identificar possíveis contribuições da rede para as convenções.

A Coalizão foi representada pela cofacilitadora Karen Oliveira e pelos coordenadores Iuri Cardoso (Advocacy) e Tainah Godoy (Relações Institucionais), além de Fernanda Bortoloto, da The Nature Conservancy (TNC) Brasil.

De acordo com Cardoso, um dos temas discutidos com o Departamento de Clima do Itamaraty, representado por Adriana Medeiros e Paula Leão Castro, foi a possibilidade de contribuições para a plataforma de Sharm el-Sheikh, voltada à divulgação de boas práticas relacionadas a sistemas alimentares e práticas agropecuárias sustentáveis.

“Também ficou pendente, nas discussões do ano passado da COP do Clima, em Belém, a questão dos indicadores de adaptação, que incluem a agricultura. Então debatemos como isso poderia avançar nas reuniões em Bonn, que aconteceram neste mês, e na COP 31, em novembro”, explica Cardoso.

A rede avalia agora a possibilidade de incluir materiais sobre silvicultura de espécies nativas como prática agropecuária sustentável e exemplo que pode ser escalado.

Já na reunião com Diogo Machado Gonçalves, da área do Itamaraty dedicada à Biodiversidade, foram apresentadas as posições do governo sobre o tema. O MRE também pediu apoio para as reuniões com a sociedade civil e setor privado, que acontecerão nos dias 22 e 23 de junho, para consolidar a posição brasileira para as negociações da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) previstas para agosto em Nairóbi, no Quênia.

“Com esses encontros, tivemos uma visão do que está sendo discutido nas convenções, o que nos dá condições de buscar sinergias e formas de contribuir para as pautas”, ressalta Cardoso, lembrando que a agenda da rede no cenário internacional é norteada pelo documento “Propostas para uma transição climática global para o setor do uso da terra”, lançado no ano passado.

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