Evento em São Paulo reuniu representantes de governos, setor privado, instituições financeiras e sociedade civil para discutir desafios e oportunidades da cadeia da carne sustentável

A Coalizão participou, em São Paulo, do encontro regional “Rastreabilidade da Pecuária e Sistemas de Carne Sustentável na América Latina”. Realizado nos dias 19 e 20 de maio, o evento reuniu representantes de governos, setor privado, instituições financeiras, organizações da sociedade civil e especialistas técnicos de países como Argentina, Paraguai, Uruguai e Colômbia, além do Brasil.
O encontro, promovido pela Global Roundtable for Sustainable Beef (GRSB) e pelo Bezos Earth Fund (BEF), teve como objetivo discutir e trocar experiências sobre desafios e oportunidades relacionados à rastreabilidade da cadeia da carne na região.
Isabella Freire, colíder da Força-Tarefa Rastreabilidade e Transparência da Coalizão, participou de um painel sobre o estado da arte das ferramentas e tecnologias para rastreabilidade da pecuária na América Latina. E Fernando Sampaio, também colíder da FT, integrou uma sessão sobre interoperabilidade entre sistemas nacionais de rastreabilidade.
Na ocasião, Sampaio apresentou o estudo “Mapeamento de Requisitos para a Plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S)”, elaborado pela Coalizão como contribuição à plataforma do governo brasileiro, além de debater a integração entre sistemas públicos e privados, de estados e do governo federal.
No evento, cada país teve a oportunidade de mostrar como está atuando na agenda da rastreabilidade do gado, além de trocar aprendizados e lições em relação a tecnologia, integração de dados, barreiras e implementação, afirma Sampaio.
“Os quatro países do Mercosul são grandes produtores e exportadores de carne. Mas há outras nações onde a pecuária é cada vez mais importante, como a Colômbia. Algumas estão bem avançadas nessa agenda de rastreabilidade, como o Uruguai, que tem controle completo do rebanho. Outras estão evoluindo, tanto em ferramentas como na legislação”, avalia.
O Brasil também tem apresentado avanços como o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos e a Plataforma Agro Brasil + Sustentável, além de iniciativas em nível estadual, como o Selo Verde, do Pará, ressalta Sampaio.
O colíder ressalta que é preciso ver a rastreabilidade como uma ação maior do que colocar um brinco no boi: “Ela precisa ser entendida como infraestrutura de informação, que integra diferentes fontes de dados, para chegar à transparência na cadeia produtiva, além de futuramente agregar outros dados.”
Entre as informações que devem ser integradas estão o Cadastro Ambiental Rural (CAR), dados fundiários, sobre trânsito animal e mesmo listas de empregadores com mão de obra análoga à escravidão. “Evidências sobre descarbonização da cadeia também podem ser agregadas, o que permitiria levar incentivos a produtores”, acrescenta Sampaio. O colíder também destaca a importância de apoiar estados em suas iniciativas de rastreabilidade, especialmente aqueles que têm grande volume de rebanhos. Esse é um dos movimentos acompanhados pela FT da rede para impulsionar essa agenda. “Temos a intenção, em breve, de publicar um diagnóstico sobre o que está acontecendo nos estados e apontar caminhos para avançar neles”, afirma.