10/2026

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Coalizão promoverá painéis sobre restauração na COP da Biodiversidade

COP 17, que acontece de 19 a 30 de outubro em Yerevan, na Armênia, discutirá avanços dos países e desafios de financiamento para cumprir metas de marco global

Agricultura e sistemas produtivos e a interação entre biodiversidade e mudanças climáticas também deverão ser debatidos na Conferência. Foto: Public Radio of Armenia

A restauração de ecossistemas e seu monitoramento serão foco da participação da Coalizão Brasil na COP da Biodiversidade em Yerevan (COP 17), na Armênia, que acontece de 19 a 30 de outubro. A rede será representada pela cofacilitadora Karen Oliveira e por Tainah Godoy, coordenadora de Relações Institucionais. (Confira a programação completa no final desta matéria.)

A expectativa para esta COP gira em torno dos progressos realizados pelos países na implementação das metas estabelecidas no Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, avalia Karen Oliveira: “Agora é o momento de os países reportarem seus avanços. Cada país preparou o seu documento, que reflete as características e as prioridades de cada um.”

Estabelecido em 2022, o Marco Global da Biodiversidade traz 23 metas a serem alcançadas até 2030 para frear e reverter a perda da biodiversidade, além de objetivos de longo prazo para 2050. Entre elas está a Meta 2, que estabelece que pelo menos 30% de áreas degradadas terrestres e aquáticas estejam em recuperação efetiva até 2030.

No Brasil, a Coalizão tem contribuído para a implementação dessas metas por meio de recomendações à Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb) e da participação na construção de políticas públicas, como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). A rede também lidera o Observatório da Restauração e atua em parceria com o governo federal para aprimorar o monitoramento da Meta 2, com foco na integração de dados e no acompanhamento dos resultados da restauração.

“Outra questão muito importante do Marco é sobre como os benefícios adquiridos a partir do uso sustentável da biodiversidade podem ser divididos, principalmente, entre as comunidades e os povos indígenas”, explica Oliveira. “O Brasil avançou bastante nessa agenda a partir da construção do Plano Nacional de Bioeconomia, que contou com participação ativa da Coalizão.”

Para o setor privado, há uma meta específica, a 15, que determina que países incentivem empresas e instituições financeiras a avaliarem, monitorarem e reduzirem riscos e impactos de suas atividades sobre a biodiversidade.

Entre os temas que deverão ser debatidos em Yerevan estão a agricultura e os sistemas produtivos, a interação entre biodiversidade e mudanças climáticas e o financiamento. As discussões sobre agricultura deverão abordar a implementação da Meta 10, voltada à incorporação da biodiversidade aos sistemas produtivos. Nesse contexto, o Brasil poderá apresentar experiências de agricultura de baixo carbono, recuperação de áreas degradadas e sistemas integrados de produção.

Outro desafio será aumentar o financiamento para a conservação e a restauração de ecossistemas, mobilizando recursos públicos e privados. “Neste momento, não há recurso suficiente para tudo que é necessário e esse tema também será debatido, na tentativa de se construir um novo fundo da biodiversidade para o período pós-2030”, afirma Oliveira.

A conferência também buscará a articulação entre as convenções internacionais de biodiversidade, clima e combate à desertificação, de modo que as políticas adotadas contribuam simultaneamente para a conservação dos ecossistemas, a mitigação das mudanças climáticas e a adaptação aos seus impactos.

Participação na Climate Week de Nova York

Em setembro, a Coalizão apoiou institucionalmente três painéis na Climate Week de Nova York, que abordaram agricultura regenerativa, finanças e sistemas alimentares e segurança alimentar.

O painel “Food Systems as an Asset Class: connecting Brazilian agribusiness to global food security and investment flows”, realizado em 22 de setembro pela Aya Partners, Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Instituto Equilíbrio, teve entre os debatedores André Guimarães, membro do Conselho Consultivo da Coalizão.

“Em um mundo em aquecimento, a questão da segurança alimentar torna-se central. O Brasil, como grande produtor e exportador de alimentos, tem papel fundamental nesse contexto. É, portanto, imperativo preservarmos os serviços ambientais que as florestas nos prestam”, alertou Guimarães, que também é diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Após a COP 17 da Biodiversidade, a Coalizão também participará da COP 31 do Clima, que acontece na Turquia, sob a presidência de Turquia e Austrália, em novembro.

Confira a seguir a agenda da Coalizão Brasil na COP 17

22 de outubro, das15h às 16h (horário local)

Allied for the Amazon: Networks Turning Biodiversity Commitments into Territorial Action

Talin – Side Event Room 1, Green Zone

Realização: Coalizão Brasil, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia, Uma Concertação pela Amazônia e WRI Brasil

24 de outubro, das12h30 às 13h30

The Role of Governments in Mobilizing Private Investment in Nature Protection and Restoration

Nature Positive Pavilion, Blue Zone

Realização: World Business Council for Sustainable Development

27 de outubro, das 16h às 17h

The Leading Role of Brazilian Forests in the Global Climate Agenda                                                                    

Upper Stage, Green Zone

Realização: Coalizão Brasil, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Instituto Arapyaú e Instituto Clima e Sociedade (iCS)

28 de outubro, das 11h às 12h

From Target to Field: Agriculture and Biodiversity at COP 17

Upper Stage, Green Zone

Realização: Coalizão Brasil, Bayer, CropLife Brasil e WRI Brasil

28 de outubro, das 11h às 12h

From Targets to Landscapes: National Experiences in Implementing Forest and Landscape Restoration

Small Room, Nature Pavilion, Blue Zone

Realização: Coalizão Brasil, International Union for Conservation of Nature (IUCN) e WRI Brasil

28 de outubro, das 15h30 às 16h30

Building Brazil’s National Restoration Monitoring System: Data, Partnerships and Geospatial Intelligence for Biodiversity Targets

Small Room, Nature Pavilion, Blue Zone

Realização: Coalizão Brasil, FAO/AIRM4Forests, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), TNC Brasil e WRI Brasil

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