Materiais apresentam um panorama da integração entre o Cadastro Ambiental Rural e a Guia de Trânsito Animal e um passo a passo para conectar as bases de dados

A integração de dados públicos é um caminho viável e de baixo custo para avançar na rastreabilidade socioambiental da pecuária bovina brasileira. Essa é a principal mensagem de duas publicações lançadas recentemente pela Coalizão Brasil: “Avançando com a Rastreabilidade Socioambiental: Panorama da Integração CAR–GTA no Brasil, Boas Práticas e Recomendações” e o “Guia Técnico para Implementação da Rastreabilidade Socioambiental“.
O primeiro estudo apresenta um panorama da integração entre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a Guia de Trânsito Animal (GTA), identificando desafios e reunindo recomendações para ampliar o uso dessas informações. Já a segunda publicação traduz essa análise em orientações práticas, com etapas e procedimentos para apoiar os governos estaduais na implementação ou no aprimoramento da conexão entre as duas bases de dados. Ambos os documentos foram elaborados pela Força-Tarefa (FT) Rastreabilidade e Transparência.
As orientações propostas ganham relevância diante das crescentes exigências de transparência por parte de compradores, instituições financeiras e mercados internacionais. Enquanto o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) prevê a implementação gradual da rastreabilidade individual dos animais até o fim de 2032, a integração entre CAR e GTA permite avançar mais rapidamente, e de forma complementar, no monitoramento da movimentação de animais por lote, contribuindo para a rastreabilidade socioambiental durante esse período de transição.
O cruzamento das informações territoriais do CAR com os registros de movimentação do rebanho viabiliza o acompanhamento dos ciclos produtivos da pecuária, da cria à engorda, e apoia a avaliação de riscos socioambientais. Essa estratégia aproveita cadastros e sistemas já existentes, sem exigir a criação de uma nova infraestrutura de dados.
“Precisamos entender a rastreabilidade dentro de um debate mais amplo, de uma infraestrutura pública digital que integre e dê transparência aos dados da agropecuária brasileira”, afirma Fernando Sampaio, colíder da FT.
O estudo aponta que os principais entraves à integração não são tecnológicos, mas estão relacionados à articulação institucional e à definição de normas para a conexão dos sistemas. Entre as recomendações estão a inclusão dos dados do CAR nos cadastros sanitários das propriedades rurais, a verificação da correspondência das coordenadas geográficas e o estabelecimento de grupos de trabalho conjuntos entre os órgãos de defesa agropecuária e de meio ambiente.
O guia detalha como essas medidas podem ser implementadas, respeitando as competências de cada estado. Uma de suas orientações centrais é garantir que a verificação da regularidade ambiental do imóvel não impeça a emissão da GTA.
“A verificação de regularidade ambiental no ato de emissão da GTA é uma ferramenta valiosa, mas ela deve ocorrer sem interromper o fluxo sanitário. O cruzamento de dados deve ser usado para gerar inteligência e apoiar os produtores na regularização, não para paralisar a atividade produtiva”, analisa Isabella Freire, também colíder da FT e diretora executiva da Proforest na América Latina.
Ao reunir diagnósticos e orientações práticas, as duas publicações contribuem para uma maior integração entre as agendas ambiental e agropecuária. Assim, é possível ampliar a transparência da cadeia da carne, fortalecer o uso estratégico de informações públicas e preparar a produção brasileira para responder às exigências de conformidade socioambiental.