07/2026

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Plano Safra avança em sustentabilidade, mas deixa lacunas na gestão de riscos climáticos

Política pública mantém condições mais favoráveis para linhas sustentáveis e incorpora contribuições da Coalizão, enquanto seguro rural e crédito de longo prazo seguem como pontos de atenção

Menores taxas de juros para o RenovAgro Ambiental e Recuperação e Conversão de Pastagens foram mantidas no novo Plano. Foto: Alf Ribeiro/iStock

O Plano Safra 2026/2027, anunciado em 30 de junho, com recursos de R$ 610,3 bilhões, trouxe avanços importantes, como em mecanismos que aproximam a política de crédito rural da gestão de riscos, da valorização das boas práticas agropecuárias e da proteção dos recursos naturais.

O plano incorporou contribuições elaboradas pela consultoria Agroicone e enviadas em março pela Coalizão Brasil, como a manutenção das condições mais favoráveis de financiamento para linhas voltadas à sustentabilidade. Nesse sentido, a nova edição da política preservou as menores taxas de juros para o RenovAgro Ambiental e para a Recuperação e Conversão de Pastagens. Também se espera a implementação da restrição ao financiamento de projetos que envolvam supressão ilegal de vegetação nativa, reforçando a integração entre política agrícola e conservação ambiental a partir de 2027.

“O Plano Safra avança ao reconhecer que sustentabilidade e gestão de riscos devem fazer parte da política agrícola”, avalia Leila Harfuch, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e sócia-gerente da Agroicone.

“Medidas que valorizam boas práticas, priorizam investimentos alinhados à jornada de sustentabilidade e fortalecem instrumentos de mitigação de riscos caminham na direção de uma agropecuária mais resiliente e preparada para enfrentar os desafios climáticos.”

Ao mesmo tempo, Harfuch alerta que o Plano Safra deveria priorizar de forma mais estratégica a transição para sistemas produtivos resilientes às mudanças do clima — especialmente diante da expectativa de uma safra sob o impacto crítico de um El Niño mais forte previsto para iniciar já neste segundo semestre.

“Embora o novo plano disponibilize volumes significativos para a agricultura empresarial e familiar, a falta de priorização de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, e as dificuldades de acesso ao crédito de longo prazo devido ao endividamento do produtor geram um cenário de alerta”, ressalta Harfuch.

Transição sustentável para a agricultura familiar

Na agricultura familiar, o Plano também avançou em propostas voltadas à transição sustentável. Entre elas estão a redução da taxa de juros das linhas sustentáveis do Pronaf (Agroecologia, Semiárido, Floresta e Bioeconomia), a ampliação do limite de financiamento para projetos de sistemas agroflorestais e silvicultura e o reforço dos recursos destinados à assistência técnica.

Até o momento, ainda não foram divulgadas pelo governo federal propostas relacionadas ao aprimoramento do Sistema de Informações sobre Crédito Rural (Sicor), à aplicação da Taxonomia Sustentável Brasileira no crédito rural, ao fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e ao direcionamento mais estratégico de recursos para recuperação de pastagens e implementação do Código Florestal.

As contribuições da Coalizão enviadas ao Plano Safra estão disponíveis aqui.

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