Carolle Alarcon, gerente executiva da Coalizão, e Fernando Sampaio, líder do GT 10 Anos, explicam a importância de revisar prioridades para a próxima década

Desde 2015, quando a Coalizão Brasil foi fundada, muitas mudanças aconteceram no cenário nacional e internacional e dentro da própria rede. Por isso, uma reflexão sobre o que a Coalizão deve fazer para seguir contribuindo com cada vez mais assertividade para a agenda agroambiental tornou-se necessária – e a criação do Grupo de Trabalho (GT) 10 Anos foi o caminho para conduzir essa discussão de forma sistematizada e com agilidade.
O GT está elaborando um documento com recomendações relacionadas a prioridades, forma de atuação, governança e sustentabilidade financeira para a Coalizão nos próximos dez anos, ou seja, para o período de 2026 a 2035. Membros da rede podem enviar suas contribuições até o dia 13 de março preenchendo um formulário disponível neste link.
“A Coalizão sempre foi e segue sendo um espaço de convergência e advocacy, mas também se tornou um braço de implementação de políticas públicas em apoio ao governo, sendo demandada em diferentes frentes”, explica Carolle Alarcon, gerente executiva da Coalizão. “Então, passados dez anos, esse respiro e essa reflexão sobre a atuação são estratégicos para orientar nossos próximos passos.”
Para Fernando Sampaio, que lidera o GT 10 Anos, é importante avaliar como a Coalizão foi se organizando e estruturando ao longo dos anos e entender o que está funcionando bem, para que a rede possa continuar sendo relevante.
“Sabemos que o mundo não está agindo o suficiente para entregar resultados concretos na agenda de clima. Há uma crise no multilateralismo e um cenário geopolítico completamente diferente do que era em 2015, ano da fundação da Coalizão. Isso traz a necessidade de repensar que tipo de atuação a rede pode ter no contexto global e no Brasil”, explica.
Um marco nas contribuições internacionais da Coalizão foi o lançamento, em setembro do ano passado, do documento “Propostas para uma transição climática global para o setor do uso da terra“, durante a Climate Week de Nova York. Nele, a rede enumerou uma série de ações que deveriam ser incorporadas ao combate à crise climática já a partir da COP 30, realizada dois meses depois em Belém, como o aumento de investimentos globais para o controle do desmatamento, a implementação de sistemas alimentares resilientes e o reconhecimento da bioeconomia como uma estratégia integrada às metas climáticas nacionais, as NDCs.
No âmbito doméstico, a Coalizão deve seguir atuando em suas pautas históricas, como a implementação do Código Florestal e o combate à ilegalidade na Amazônia.
Em paralelo, segundo Sampaio, deve discutir se adota outras pautas que têm ganhado relevância nos últimos anos, como a transição energética, dada a liderança brasileira na produção de biocombustíveis e o seu papel crescente na agricultura. “A Coalizão precisa se antecipar a debates que inevitavelmente acontecerão”, destaca.
Para conduzir a facilitação das discussões do GT 10 Anos, a Coalizão contratou a consultoria Aflorar, especializada em processos colaborativos. Sua equipe, liderada pela diretora executiva Maria Piza, está conduzindo diagnósticos e entrevistas com fundadores da Coalizão e com referências nacionais e internacionais na agenda agroambiental.
“Há muita potência na produção histórica da Coalizão”, avalia Piza. “A forma como a rede foi lidando com diferentes governos e com as oportunidades que encontrou ao longo dos anos mostram um poder de resiliência, sem perda de força e impacto.”
A partir de sua pesquisa, das entrevistas e das reuniões e oficinas do GT, a Aflorar produzirá um documento com propostas de estratégia da rede para os próximos dez anos. A publicação será apresentada ainda este semestre e validada pelos Grupos Estratégico e Executivo, as principais instâncias de governança da Coalizão. O documento será divulgado a todos os membros do movimento na 1ª Plenária de 2026, em 3 de julho, em São Paulo.
Carolle Alarcon ressalta que as propostas não alteram os propósitos abraçados pela rede desde sua fundação. “O documento contribuirá para afiar o foco de atuação. Os fundamentos do Livro Verde e a da nossa visão de futuro continuam válidos”, assegura. “A ideia não é fazer menos, é fazer melhor e com mais impacto. E também ter uma rede que seja mais permeável à participação e engajamento.”