05/2026

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Implementação do Código Florestal promoverá vantagem competitiva do país, diz colíder de FT

Legislação, que completa 14 anos em maio, pode fortalecer a resiliência climática da agropecuária, e a reputação positiva do Brasil, avalia Beto Mesquita

Evento da iniciativa Pacto pelo Código Florestal, em 2025, em Brasília, reuniu representantes de diversos setores para discutir como cada um pode contribuir para a implementação do marco legal. Foto: Caio Santana

O Código Florestal, principal legislação de proteção da vegetação nativa do país (Lei no 12.651/2012), completa 14 anos neste mês e, para Beto Mesquita, colíder da força-tarefa (FT) da Coalizão Brasil dedicada ao tema, nunca foi tão importante implementá-lo. “Estamos perdendo uma oportunidade não apenas de cumprir uma lei, mas de implantar um marco legal que se transforma em uma vantagem competitiva”, alerta Mesquita, que é diretor para Paisagens Sustentáveis da Conservação Internacional (CI Brasil) e membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão.

Segundo estudo do Climate Policy Initative (CPI/PUC-Rio), o número de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) validados chegou a 9% no país em 2025, devido à implementação de sistemas automatizados em alguns estados.

Embora esse avanço seja positivo e a implementação do Código tenha progredido nos últimos anos, Mesquita avalia que a velocidade de análise do CAR, de implementação dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) e de emissão das Cotas de Reserva Ambiental (CRAs) ainda precisa aumentar. “Temos geotecnologia e capacidade de gerar informação que poderiam acelerar esse processo muitas vezes mais.”

Na avaliação do colíder, a plena execução do Código Florestal é importante por três fatores principais. O primeiro é sua contribuição para a resiliência climática da produção da agropecuária brasileira, ao determinar a recuperação e proteção às Áreas de Preservação Permanente (APPs). “As APPs são necessárias para a manutenção de nascentes e áreas de recarga, das quais a agricultura brasileira depende. Mas continuam existindo passivos de milhões de hectares dessas áreas sem vegetação nativa”, ressalta.

Outro fator está relacionado à reputação da agropecuária. Para Mesquita, a implementação do Código permitiria ao país utilizá-lo como argumento positivo, demonstrando que o Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo em relação à proteção da vegetação nativa.

“E o terceiro fator, que é um ponto caro à Coalizão, tem a ver com a agenda de incentivos. Quem mais perde com a não implementação do Código Florestal são os produtores que cumprem essa lei”, alerta Mesquita. “Produtores rurais que se beneficiariam com o excedente de vegetação podem optar por derrubá-la se perceberem que não têm nada a ganhar”. Para ele, os incentivos financeiros dependem da segurança jurídica que a implementação plena do Código Florestal pode promover.

Entre as ações da FT para contribuir com essa agenda, o destaque do último ano foi a articulação por um Pacto pelo Código Florestal. A iniciativa foi lançada em outubro de 2025, em Brasília, em um evento organizado pela Coalizão e instituições parceiras. O encontro reuniu cerca de 70 representantes do setor privado – incluindo o agronegócio –, da academia, de organizações da sociedade civil e do governo.

No entanto, segundo Mesquita, os próximos passos do Pacto vêm sendo influenciados pelo cenário eleitoral, o que colocou essa frente “em compasso de espera”, antes do avanço de ações mais ambiciosas. A FT também segue acompanhando, no Congresso Nacional, a tramitação de votações de projetos que podem alterar ou impactar o Código Florestal.

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