06/2026

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Coalizão contribui para construção da agenda brasileira para a biodiversidade

Oficina reuniu organizações da sociedade civil para qualificar propostas a novo relatório nacional e à preparação do país para a COP 17

Tainah Godoy, coordenadora de Relações Institucionais, na reunião que discutiu contribuições para as metas para frear a perda de biodiversidade. Foto: Divulgação/Lia dos Santos

Em um momento decisivo para a agenda global da biodiversidade, organizações da sociedade civil se reuniram em Brasília para construir os próximos passos da atuação brasileira no tema. O encontro buscou qualificar contribuições aos ciclos de implementação e revisão das metas alinhadas às da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Entre os dias 20 e 22 de maio, a Coalizão Brasil participou da oficina “Contando histórias da sociedade civil sobre a biodiversidade brasileira”, iniciativa organizada pelo WWF-Brasil e voltada à elaboração do 7º Relatório Nacional de Biodiversidade e ao fortalecimento da Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb).

A oficina reuniu organizações da sociedade civil para consolidar informações, identificar desafios e construir leituras estratégicas sobre as 23 metas nacionais de biodiversidade, e contou com a participação de representantes dos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e das Relações Exteriores. Além de registrar avanços, o encontro promoveu uma avaliação crítica sobre os caminhos necessários para que o Brasil alcance seus compromissos.

A Coalizão foi inicialmente convidada a contribuir com a Meta 2 da Epanb, que prevê a restauração de 30% dos ecossistemas dos biomas e costeiro-marinho degradados e/ou alterados. Ao longo do processo, no entanto, a rede identificou sinergias com outras agendas e também apresentou contribuições relacionadas à bioeconomia, à silvicultura de espécies nativas e ao mercado de carbono.

“A oficina foi uma oportunidade importante para qualificar o debate sobre biodiversidade e restauração no Brasil”, explica afirma Tainah Godoy, coordenadora de Relações Institucionais da Coalizão. “Mais do que reunir iniciativas bem-sucedidas, o processo buscou identificar gargalos, desafios e prioridades que precisam ser enfrentados para que o país avance no cumprimento de suas metas e chegue à COP 17, na Armênia, com uma visão consistente sobre seus avanços e necessidades.”

Durante as discussões, a Meta 2 foi apontada como uma das mais estratégicas da Epanb por seu potencial de impulsionar outras agendas relacionadas à biodiversidade, à produção sustentável e ao fortalecimento de políticas públicas. Nesse contexto, ganha destaque o Observatório da Restauração, iniciativa da Coalizão e organizações parceiras que vem apoiando o monitoramento dos esforços de recuperação da vegetação nativa no país.

O Observatório está construindo, em parceria com o MMA, um sistema que permitirá integrar e validar dados produzidos pela sociedade civil para o acompanhamento do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e da própria Meta 2. A iniciativa busca ampliar a transparência sobre os avanços da restauração no Brasil e fortalecer a qualidade das informações reportadas nacional e internacionalmente.

“O diferencial da Coalizão é sua capacidade de mobilizar diferentes setores em torno de soluções concretas. Na agenda de restauração, isso significa aproximar produtores, empresas, organizações da sociedade civil e governos para demonstrar que restaurar ecossistemas é uma meta ambiental, mas também uma oportunidade de desenvolvimento econômico e geração de renda”, destaca Godoy.

Novas rodadas de consulta devem ocorrer nos próximos meses, contribuindo para o alinhamento entre governo, setor privado e organizações da sociedade civil em temas estratégicos que estarão presentes nas discussões da COP 17, que acontece em outubro.

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