Debates em Brasília abordaram monitoramento, integração de dados e caminhos para ampliar a escala da recuperação de ecossistemas no país

A restauração ecológica e a silvicultura de espécies nativas estiveram no centro dos debates da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), realizada em Brasília entre os dias 27 e 31 de julho.
O evento contou com mais de 1.700 pessoas, entre representantes de governos, empresas, organizações da sociedade civil, academia, comunidades, povos indígenas e coletivos que atuam com restauração nos seis biomas brasileiros.
A rede, o Observatório da Restauração (OR) e o Programa de Pesquisa & Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) promoveram e participaram de sessões ao longo do evento.
Membros do Grupo Gestor do OR apresentaram a plataforma como um espaço de convergência e integração de informações, em articulação com os coletivos que atuam com restauração em todo o país. Essas alianças são importantes para reduzir a fragmentação dos dados, ampliar a transparência e consolidar uma visão nacional sobre a restauração voluntária.
“Reforçamos a perspectiva de que monitorar não significa apenas contabilizar áreas restauradas, mas produzir informações capazes de orientar decisões e políticas públicas”, ressalta Tainah Godoy, coordenadora de Relações Institucionais da Coalizão e secretária-executiva do OR. “Hoje, a grande questão não é mais a dificuldade de acesso aos dados sobre restauração, mas o fato de que eles estão fragmentados.”
A integração das informações dá visibilidade a diferentes dimensões da restauração: onde ela está acontecendo, quem conduz as iniciativas e qual é o estágio de avanço de cada projeto.
Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do OR, a plataforma desempenha um papel estratégico para diferentes atores, de gestores públicos a investidores e organizações interessadas em apoiar a restauração. “O monitoramento tem papel na tomada de decisão. É uma inteligência espacial e territorial que auxilia a dar escala à restauração”, afirma. “O acompanhamento contínuo permite verificar resultados e acompanhar a evolução dos projetos. É, portanto, uma ferramenta que diferencia iniciativas de maior integridade de ações que não entregam os resultados anunciados.”
Encontro de agendas
A conexão entre a restauração e outras agendas relacionadas ao uso da terra foi evidenciada em uma das mesas do evento, “Restauração socioprodutiva, bioeconomia e silvicultura de nativas: conectando elos e florestas que produzem e regeneram na Amazônia”. O painel, acompanhado por cerca de 100 pessoas, abordou diferentes visões sobre os desafios para o desenvolvimento dessas frentes, incluindo financiamento e arquitetura financeira, pesquisa, participação comunitária e aspectos regulatórios. A discussão contou com a participação de representantes da Coalizão e do PP&D-SEN e deverá subsidiar uma nota técnica.
“A silvicultura de espécies nativas não vai decolar se não estiver bem acoplada à restauração”, pondera Miguel Calmon, membro do Conselho Diretivo do PP&D-SEN. Segundo ele, a ligação entre os temas pode ocorrer em diferentes frentes, como adequação ambiental, restauração de Unidades de Conservação e de territórios indígenas, além de iniciativas associadas ao mercado de carbono.