08/2026

Tempo de leitura: 3 minutos

Compartilhar

Conferência destaca integração entre restauração e silvicultura de espécies nativas

Debates em Brasília abordaram monitoramento, integração de dados e caminhos para ampliar a escala da recuperação de ecossistemas no país

 Tainah Godoy, secretária-executiva do OR, destacou a importância de integrar dados sobre restauração para orientar decisões e políticas públicas. Foto: Divulgação 

A restauração ecológica e a silvicultura de espécies nativas estiveram no centro dos debates da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), realizada em Brasília entre os dias 27 e 31 de julho.

O evento contou com mais de 1.700 pessoas, entre representantes de governos, empresas, organizações da sociedade civil, academia, comunidades, povos indígenas e coletivos que atuam com restauração nos seis biomas brasileiros.

A rede, o Observatório da Restauração (OR) e o Programa de Pesquisa & Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) promoveram e participaram de sessões ao longo do evento.

Membros do Grupo Gestor do OR apresentaram a plataforma como um espaço de convergência e integração de informações, em articulação com os coletivos que atuam com restauração em todo o país. Essas alianças são importantes para reduzir a fragmentação dos dados, ampliar a transparência e consolidar uma visão nacional sobre a restauração voluntária.

“Reforçamos a perspectiva de que monitorar não significa apenas contabilizar áreas restauradas, mas produzir informações capazes de orientar decisões e políticas públicas”, ressalta Tainah Godoy, coordenadora de Relações Institucionais da Coalizão e secretária-executiva do OR. “Hoje, a grande questão não é mais a dificuldade de acesso aos dados sobre restauração, mas o fato de que eles estão fragmentados.”

A integração das informações dá visibilidade a diferentes dimensões da restauração: onde ela está acontecendo, quem conduz as iniciativas e qual é o estágio de avanço de cada projeto.

Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do OR, a plataforma desempenha um papel estratégico para diferentes atores, de gestores públicos a investidores e organizações interessadas em apoiar a restauração. “O monitoramento tem papel na tomada de decisão. É uma inteligência espacial e territorial que auxilia a dar escala à restauração”, afirma. “O acompanhamento contínuo permite verificar resultados e acompanhar a evolução dos projetos. É, portanto, uma ferramenta que diferencia iniciativas de maior integridade de ações que não entregam os resultados anunciados.”

Encontro de agendas

A conexão entre a restauração e outras agendas relacionadas ao uso da terra foi evidenciada em uma das mesas do evento, “Restauração socioprodutiva, bioeconomia e silvicultura de nativas: conectando elos e florestas que produzem e regeneram na Amazônia”. O painel, acompanhado por cerca de 100 pessoas, abordou diferentes visões sobre os desafios para o desenvolvimento dessas frentes, incluindo financiamento e arquitetura financeira, pesquisa, participação comunitária e aspectos regulatórios. A discussão contou com a participação de representantes da Coalizão e do PP&D-SEN e deverá subsidiar uma nota técnica.

“A silvicultura de espécies nativas não vai decolar se não estiver bem acoplada à restauração”, pondera Miguel Calmon, membro do Conselho Diretivo do PP&D-SEN. Segundo ele, a ligação entre os temas pode ocorrer em diferentes frentes, como adequação ambiental, restauração de Unidades de Conservação e de territórios indígenas, além de iniciativas associadas ao mercado de carbono.

Leia também
Assine nossa Newsletter
Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi realizada com sucesso.