Bosque de Pesquisa da Embrapa, em Belterra, realiza pesquisas científicas e ações para aproximar a comunidade da floresta

O polo de referência de Belterra (Pará), do Programa de Pesquisa & Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN), é o destaque da nova série de vídeos do programa. As produções destacam a importância da atividade para promover a geração de emprego e renda na região, além de benefícios ambientais.
Os vídeos marcam o terceiro ano de implantação, pelo PP&D-SEN, de sítios de pesquisa e polos de referência na Mata Atlântica e na Amazônia. Esses locais são cruciais para compreender e ampliar o plantio de espécies nativas de alto valor econômico. Desde julho, a Coalizão publicou, nas redes sociais e em seu canal do YouTube, três vídeos curtos sobre o trabalho em Belterra. O quarto e último vídeo, que apresenta o projeto no Pará em mais detalhes, será publicado ainda este mês.
Os sítios de pesquisa são voltados ao desenvolvimento de técnicas de cultivo e à produção sustentável de madeira tropical. Os polos de referência, por sua vez, são formados por plantios antigos de espécies nativas e ajudam a compreender experiências já realizadas nessa atividade, além de orientar novas iniciativas.
O polo de referência de Belterra está localizado em uma área de 96 hectares conhecida como Bosque de Pesquisas da Embrapa. Quarenta anos atrás, o órgão plantou na região espécies arbóreas nativas e exóticas, em diferentes modelos de silvicultura, para estudar seus resultados. Após o fim desses experimentos, o bosque passou por um período sem atividades. As pesquisas foram retomadas há três anos, por meio de uma parceria com o PP&D-SEN.
Os vídeos da Coalizão explicam o que é um polo de referência, a importância de inventários de árvores para a realização das pesquisas e as ações desenvolvidas para aproximar a área de floresta da comunidade local. Também apresentam um panorama dos avanços do PP&D-SEN em seu objetivo de alavancar a silvicultura de espécies nativas como parte de uma nova economia baseada na floresta.
Silvicultura de nativas como investimento econômico
O PP&D-SEN foi lançado pela Coalizão e instituições parceiras em 2021, com o objetivo de impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias para o setor de silvicultura de espécies nativas. Em 2023, o programa recebeu um aporte de US$ 2,5 milhões do Bezos Earth Fund, em uma parceria entre a Coalizão e o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul), o que possibilitou o início da implantação dos sítios de pesquisa e polos de referência.
Desde então, a silvicultura de espécies nativas tem atraído investimentos e oportunidades de negócios, avalia Miguel Calmon, colíder da Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão e um dos coordenadores do PP&D-SEN.
“A silvicultura de nativas ganhou leveza. Se antes era pouco conhecida e precisávamos explicar o que ela é, hoje a atividade é vista como estratégica para gerar emprego e ajudar o país a se desenvolver”, avalia. “Ela já é entendida como um negócio, como fonte de ganhos para o produtor”.
Em outubro de 2025, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou o aporte de R$ 24,9 milhões no programa, para os próximos cinco anos. O lançamento do acordo foi feito em março deste ano e, além dos recursos, traz novas instituições parceiras: a Embrapa e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com o apoio administrativo da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI/UFSCar).