Aporte de R$ 24,9 milhões, não reembolsáveis, são do Fundo Tecnológico do banco; investimento contribuirá para estabelecimento de sítios de pesquisa e polos de referência

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, no último dia 9, o apoio de R$ 24,9 milhões ao Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação com Espécies Nativas (PP&D-SEN), iniciativa da Coalizão Brasil e parceiros. Os recursos, não reembolsáveis, são do Fundo Tecnológico do banco e serão liberados ao longo de cinco anos. Com as contrapartidas, o investimento total no projeto chega a R$ 30,8 milhões.
“O apoio do BNDES ao PP&D-SEN é mais uma demonstração de que a silvicultura de espécies nativas pode e deve contribuir para uma nova economia florestal no Brasil. E reafirma a visão da Coalizão em apostar em pesquisa, desenvolvimento e inovação como pilares para o sucesso dessa atividade”, destaca Miguel Calmon, colíder da Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da rede e membro do PP&D-SEN.
A coordenação do projeto será dividida entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável pelas ações na Amazônia, e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que administrará as atividades na Mata Atlântica. Os biomas concentram as 30 espécies nativas prioritárias do PP&D-SEN, que serão estudadas em 20 sítios de pesquisa e polos de referência, a serem implementados em áreas de universidades, centros de pesquisa e empresas.
A frente de silvicultura de nativas da Coalizão surgiu em 2016 e contou com o apoio de várias instituições parceiras e financiadores, como Banco Mundial, CIFF, GoodEnergies, Instituto Arapyaú, Marfrig e WRI Brasil. Em 2023, o PP&D-SEN recebeu um apoio financeiro do Bezos Earth Fund, que destinou US$ 2,5 milhões para um período de três anos. O investimento viabilizou a implementação dos dois primeiros sítios de pesquisa e polos de referência, localizados na Bahia, no Pará e em Rondônia.
“O financiamento do BNDES permitirá expandir a rede de pesquisa no país, hoje ainda restrita a alguns poucos grupos, fortalecendo parcerias com empresas e ampliando a capilaridade para várias regiões”, ressalta Daniel Piotto, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia e membro do PP&D-SEN.
Para o pesquisador Samir Rolim, que também integra o programa, “o apoio do BNDES é de extrema importância para acelerar, dentro das universidades, as pesquisas de tecnologia e inovação em silvicultura de espécies nativas”.
Calmon complementa que o compromisso do banco com pesquisa e inovação reforça a promoção da silvicultura de espécies nativas feita pela Coalizão e parceiros:
“Fomentamos o papel desta atividade no desenvolvimento sustentável do país e na solução das duas grandes crises planetárias: as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade”, explica Calmon, que também é diretor sênior de Programas da Conservação Internacional (CI) Brasil. “Além disso, a silvicultura de espécies nativas contribui para que o Brasil se torne uma liderança global na produção de madeira tropical e atenda à crescente demanda do mercado de construção sustentável.”
A expectativa é que o projeto traga impactos estruturantes e de longo prazo para o setor. “Este projeto oferece uma visão muito promissora de um ramo da bioeconomia das florestas: a produção sustentável de madeira tropical”, afirma Nabil Kadri, superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES. “E ainda trará inovações em sementes e mudas que muito contribuirão para a restauração ecológica no país.
Para saber mais sobre silvicultura de espécies nativas, acesse a página especial sobre o tema.