09/2025

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Nova publicação da Coalizão mostra que setor do uso da terra é crucial para conter crise climática

Documento, lançado na Climate Week NY, reúne dez propostas concretas, feitas com base em soluções brasileiras, que podem inspirar políticas globais para redução de emissões

Os cofacilitadores Fernando Sampaio e Karen Oliveira apresentam o documento ‘Propostas para uma Transição Climática Global para o Setor do Urso da Terra’ na Climate Week de Nova York

Responsável por 13 a 21% das emissões de gases de efeito estufa na década passada, o setor de uso da terra é fundamental para o combate à crise climática. Nele se concentram algumas das maiores oportunidades de mitigação de baixo custo, como a redução do desmatamento, a restauração de ecossistemas e a adoção de práticas agropecuárias sustentáveis. O Brasil, como país-sede da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 3O), tem a responsabilidade de apresentar soluções concretas nessa agenda. Esse é o foco da publicação “Propostas para uma Transição Climática Global para o Setor do Uso da Terra”, lançado nesta segunda-feira (22) pela Coalizão Brasil na Climate Week de Nova York.

Leia aqui o documento
Leia aqui o sumário executivo
Conheça a página especial da COP 30 da Coalizão

O documento destaca que a COP 30 ocorrerá em um ponto de inflexão: eventos extremos cada vez mais frequentes — como secas, enchentes, ondas de calor e incêndios florestais —, comprometem a produção agrícola, agravam a crise hídrica e expõem  populações vulneráveis à insegurança alimentar. Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, a implementação da agenda climática tornou-se urgente.

Na nova publicação, a Coalizão apresentou dez propostas concretas para o enfrentamento dos desafios climáticos, que exigem investimentos consistentes em inovação, tecnologia e adaptação. Muitas delas já contam com políticas públicas no Brasil, cujos resultados podem inspirar outras nações a adotar iniciativas semelhantes. Entre os exemplos nacionais que podem ganhar escala estão planos para combate ao desmatamento na Amazônia (PPCDAm), de recuperação da vegetação nativa (Planaveg) e de fomento à agricultura de baixo carbono (ABC+).

“É o início de um movimento que queremos ver ganhar força até a COP 30, envolvendo governos, setor privado e sociedade civil. Estamos falando de experiências brasileiras que podem ser replicadas em escala mundial para combater o desmatamento, valorizar a floresta em pé, restaurar ecossistemas e mobilizar financiamento climático”, avalia Carolle Alarcon, gerente executiva da Coalizão Brasil. “A urgência é clara: no ano passado, o aumento da temperatura média global superou 1,5 grau Celsius, um limite estabelecido no Acordo de Paris. É hora de investir em uma nova economia — e essa transição passa por soluções para o uso da terra.” 

As medidas descritas pela rede foram divididas nos três eixos da Agenda de Ação da COP 30, divulgada pela presidência da cúpula em junho. São elas: Gestão Sustentável de Florestas, Oceanos e Biodiversidade; Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares; e Catalisadores e Aceleradores, um pilar que reúne iniciativas ligadas a financiamento, tecnologia e capacitação.

Cofacilitador da Coalizão e diretor de Sustentabilidade da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Fernando Sampaio destaca que a agropecuária brasileira tem um papel decisivo na segurança alimentar e na transição climática global.

“Já temos tecnologias e práticas sustentáveis consolidadas, como a integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e o manejo de pastagens, que reduzem emissões e aumentam a produtividade”, assinala. “O desafio agora é escalar essas soluções, com apoio técnico, financiamento e políticas públicas que valorizem quem produz com responsabilidade. O Brasil pode ser referência mundial em uma agropecuária de baixo carbono, que alia competitividade, conservação ambiental e segurança alimentar — e a COP 30 é o momento estratégico para mostrar isso ao mundo.”

Karen Oliveira, cofacilitadora da rede e diretora para Políticas Públicas e Relações Governamentais na The Nature Conservancy (TNC Brasil), sublinha a necessidade de que a comunidade internacional mobilize recursos financeiros na velocidade e na magnitude exigidas pela emergência climática:

“O Brasil tem projetos maduros e de alto impacto prontos para receber investimentos, mas precisamos de mecanismos que facilitem o acesso ao financiamento climático, especialmente para pequenos e médios produtores. Isso significa alinhar fundos e políticas públicas para direcionar capital a iniciativas que conciliam produção, conservação e inclusão social. A COP 30 é uma oportunidade de transformar compromissos em fluxos reais de recursos, capazes de acelerar a transição para uma economia de baixo carbono e com boas práticas a partir das Soluções Baseadas na Natureza.”

O documento será entregue à presidência da COP 30 e a representantes de diversos ministérios, como Agricultura e Pecuária, Meio Ambiente, Fazenda e Relações Exteriores.

As propostas da Coalizão

Gestão Sustentável de Florestas, Oceanos e Biodiversidade

1. Aumentar investimentos para controlar e reverter o desmatamento e a degradação florestal;
2.Promover a restauração de paisagens e florestas em larga escala;
3. Incorporar ações integradas de prevenção e combate a incêndios florestais;
4. Ampliar mecanismos de pagamentos por serviços ambientais;
5. Fortalecer a rastreabilidade socioambiental das cadeias produtivas. 

Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares

6. Recuperar áreas degradadas e ampliar sistemas agropecuários de baixo carbono e regenerativos;
7. Implementar sistemas alimentares mais resilientes, adaptados e sustentáveis.

Catalisadores e Aceleradores (Financiamento, Tecnologia e Capacitação)

8. Definir padrões globais para finanças agrícolas sustentáveis;
9. Reconhecer a bioeconomia como estratégia global para o desenvolvimento sustentável;
10. Destinar pelo menos 50% das metas do financiamento climático para adaptação.

A agenda internacional da Coalizão rumo à COP 30 tem o apoio do Rabobank Brasil.

Apresentação para lideranças do governo

O documento com as propostas da Coalizão está sendo entregue pela equipe e por membros da rede a negociadores da COP 30 e a lideranças do governo. A publicação foi apresentada presencialmente em outubro à CEO da conferência, Ana Toni; à secretária nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Rita Mesquita; e ao diretor do Departamento de Florestas da pasta, Thiago Belote. O relatório também foi levado às técnicas Adriana Gabino e Paula Leal, do Departamento de Clima do Itamaraty, que acompanham a agenda de agricultura da COP.

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