Consenso sobre o tema ajuda a responder desafio triplo do bioma: combater desmatamento, recuperar áreas degradadas e gerar emprego e renda

A Aliança pela Restauração da Amazônia, rede multissetorial que atua para dar escala à restauração florestal no bioma, e a Coalizão Brasil elaboraram uma publicação conjunta sobre como a silvicultura de espécies nativas pode ser uma estratégia para fomentar a recuperação da vegetação nativa no bioma amazônico, aliando produção, conservação e desenvolvimento territorial.
O “Posicionamento sobre silvicultura de nativas como apoio na restauração” traz um consenso sobre a atividade e seu papel na restauração de ecossistemas, explica Fabricio Nascimento Ferreira, coordenador do Grupo de Trabalho Silvicultura de Espécies Nativas da Aliança. Segundo ele, era necessário estabelecer critérios técnicos, legais e políticos para definir quando o plantio de árvores nativas deixa de ser apenas um cultivo e passa a ser uma ferramenta de recuperação ecológica e desenvolvimento socioeconômico.
“Precisávamos mostrar que a silvicultura de nativas é uma estratégia legítima para gerar renda, capturar carbono e reconectar as pessoas à floresta”, afirma Ferreira, que também é coordenador do Restaura Bio – Rede Embrapa de Restauração de Ecossistemas. Esse consenso técnico ajuda a responder a um desafio triplo que existe na Amazônia, segundo Ferreira: conter o desmatamento, restaurar o que foi degradado e, ao mesmo tempo, criar alternativas econômicas para as populações locais.
Assim, a publicação define como deve ser o plantio de árvores nativas do ponto de vista ecológico e, também, econômico – neste caso, apontando em que tipo de sistema produtivo a atividade pode ser feita. Esses pontos ajudam a promover políticas públicas e segurança jurídica que atraiam produtores e investidores.
Diálogo com quem atua no bioma
Maiara Beckrich, coordenadora de Relações Institucionais da Coalizão, explica que a rede buscava entender como promover a silvicultura de espécies nativas na Amazônia.
“Era fundamental estabelecer diálogo com a Aliança pela Restauração da Amazônia, que é o coletivo que reúne alguns dos principais atores da agenda de restauração no bioma, e entender como eles enxergavam o papel da silvicultura de nativas, bem como as conexões entre as duas agendas”, afirma Beckrich.
Para chegar ao posicionamento atual, foram realizados simpósio, workshop e reuniões com especialistas e membros da Aliança e da Coalizão. Os encontros discutiram como a silvicultura de nativas pode contribuir com a restauração dos ecossistemas e a conservação da biodiversidade, além de gerar emprego e renda para comunidades locais.
As discussões tiveram participação do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e do Programa de Pesquisa & Desenvolvimento em Silvicultura de Nativas (PP&D-SEN) e apoio do Bezos Earth Fund (BEF). O PP&D-SEN e o BEF também apoiaram a publicação do posicionamento.
Lançamento na COP 30
O “Posicionamento sobre silvicultura de nativas como apoio na restauração” foi lançado durante a Conferência do Clima em Belém (COP 30), em evento realizado na Agrizone, espaço oficial da Embrapa na cúpula. A receptividade foi alta, avalia Ferreira.
“Apresentamos uma solução que concilia a viabilidade técnico-financeira com a recuperação florestal. O posicionamento ajudou a diferenciar para o mercado internacional o que é uma commodity monocultural do que é um produto de restauração amazônica, com alto valor agregado de biodiversidade e carbono”, destaca. A publicação está disponível na página do Programa de Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão.