12/2025

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Observatório da Restauração registra mais de 200 mil hectares em recuperação no Brasil

Nova edição da plataforma aponta crescimento de 158% desde 2021 e reúne dados dos seis biomas do país, reportados por coletivos, empresas e sociedade civil

Painel reúne os principais dados do Observatório da Restauração: plataforma renovou identidade visual, navegação e critérios de monitoramento. Foto: Reprodução.

O Observatório da Restauração (OR), plataforma de monitoramento de dados de iniciativas de restauração em nível nacional, lançou sua terceira edição no dia 10 de dezembro, com números atualizados. Mantido pela Coalizão Brasil, o OR indica que há 204,21 mil hectares de área em processo de restauração no país, um aumento de 158% em relação a 2021, quando foram mapeados 79 mil hectares. Em relação à última atualização, de 2024, o aumento foi de 33%.

Do total atualizado, a maior parte das áreas em restauração está na Mata Atlântica e na Amazônia, mas há iniciativas acontecendo em todo o território nacional (saiba mais aqui). Nesta nova edição, a plataforma apresenta identidade visual renovada, além de novidades nos critérios de monitoramento e na navegação.

O OR recebe dados de áreas em processo de restauração reportados por organizações da sociedade civil, empresas, instituições acadêmicas e coletivos dedicados à atividade nos seis biomas do país. Todas as informações são validadas pelo Comitê Gestor da plataforma, formado pela Coalizão, WWF Brasil, WRI Brasil, Imazon e The Nature Conservancy (TNC) Brasil. Os coletivos biomáticos parceiros são Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Rede pela Restauração da Caatinga (ReCaa), Pacto pela Restauração do Pantanal, Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), Aliança pela Restauração da Amazônia e Rede Sul — esta última, com atuação no Pampa.

“O Observatório é uma ferramenta essencial não somente pela contabilização de hectares em si, mas pela articulação e visibilidade aos atores que fazem a restauração acontecer”, explica Tainah Godoy, secretária-executiva do OR. Dessa forma, a plataforma consegue integrar dados qualificados que levam a realidade do campo aos tomadores de decisão, como o governo e investidores.

A restauração de ecossistemas, além de trazer benefícios socioambientais, é uma agenda fundamental para o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil, como o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, previsto no Acordo de Paris e reforçado pelo Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).

Webinar e publicação

O lançamento da terceira edição do OR foi feito em um webinar que destacou a importância do monitoramento da restauração no Brasil e no mundo. “O tema tem se consolidado como tema estratégico, e o Planaveg reconhece o monitoramento como um de seus componentes estruturantes”, ressaltou Carolle Alarcon, gerente-executiva da Coalizão, que mediou um painel no início do evento.

Matheus Couto, especialista em monitoramento da restauração de ecossistemas da FAO e coordenador da AIM4NatuRe, abordou a importância de alcançar a Meta 2 do novo Marco Global da Biodiversidade, que estabelece a restauração de 30% dos ecossistemas degradados do planeta até 2030. Também apresentou a FERM, plataforma global de monitoramento da restauração, que já tem integrados os dados do OR.

Couto destacou, ainda, a participação da sociedade civil nos esforços de monitoramento: “A restauração se faz com pessoas, então é preciso encontrar formas de engajá-las e ver sua participação sendo reconhecida”.

Também participante do painel, Thiago Belote, diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), explicou que a Comissão Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (Conaveg) estabeleceu câmaras construtivas temáticas, sendo que uma delas tem um grupo de trabalho, com participação da Coalizão, que busca responder em que ponto o país está na meta de recuperar 12 milhões de hectares.

Assim teve início a construção de um sistema nacional de monitoramento e reporte de restauração, que inclui três tipos de dados: de vegetação secundária, restauração compulsória e restauração voluntária. Para este último, ele destaca as informações compiladas pelo OR. “Contamos muito com o Observatório da Restauração para conseguir esses dados que vêm da sociedade civil, do setor privado e mesmo de governos subnacionais”, disse.

O primeiro cálculo feito pelo MMA com base nesses três tipos de dados, divulgado em novembro, aponta que o país tem 3,4 milhões de hectares em restauração.

Carol Sacramento, secretária executiva do coletivo Araticum, afirmou no painel que o OR é o principal “hub” de dados de iniciativas voluntárias de restauração a nível nacional.  “O OR promove o diálogo institucional com outros atores da restauração, e isso é importante para fortalecer a sociedade civil”, ressaltou.

Sacramento reforçou, ainda, a importância de se dar visibilidade a atores locais que atuam com a restauração, bem como a ecossistemas não florestais, como campos de vegetação nativa.

Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas, apresentou o Monitor da Recuperação da rede. Além dos indicadores de restauração voluntários, obtidos do OR, o monitor do MapBiomas também reúne dados de embargos estaduais e federais para identificar áreas que podem ou devem estar em recuperação e outros sistemas. As imagens mostram como era uma área em diferentes momentos, analisando se está compatível com processo de recuperação.

Após o painel, Maiara Bekrich, coordenadora de Relações Institucionais da Coalizão, apresentou uma nova publicação do OR, que reúne os avanços, os objetivos e a governança da plataforma. “O documento traz o histórico da construção da plataforma e consolida o trabalho de fomentar a governança de dados entre os coletivos biomáticos”, explicou. A publicação pode ser encontrada no site do OR.

Bárbara Paes, coordenadora de dados do OR, explicou que, nesta terceira edição, a plataforma retirou a categoria “reflorestamento”. Entre os motivos está o fato de que o termo não abarca áreas de vegetação nativa que não se apresentam como floresta e há dificuldade em identificar o reflorestamento com espécies nativas das exóticas – esta última não é contabilizada em metas nacionais, como o Planaveg.

Ao final do lançamento, Tainah Godoy mostrou como navegar pela plataforma do OR, que permite visualizar dados como nome do projeto, técnica de restauração e organização responsável de uma determinada área em restauração. Também é possível fazer buscas de áreas por estado ou municípios e cruzar informações como áreas de restauração e áreas de assentamento ou bacias hidrográficas.

Acesse e navegue pelo Observatório da Restauração em: https://observatoriodarestauracao.org.br/

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