Agenda internacional da Coalizão em 2026 envolverá articulações que reforcem a influência da agroindústria e da conservação florestal em cúpulas climáticas; representantes do movimento entregaram documento com propostas para embaixador da Etiópia, anfitriã da COP 32

O uso da terra ganhou evidência inédita na agenda climática internacional ao longo de 2025. Para a Coalizão Brasil, a influência crescente da agroindústria e da conservação de florestas nos debates reforça a necessidade de que países do Sul Global assumam cada vez mais a liderança em ações para mitigação e adaptação do clima, a serem abordadas nas COPs 31 (Austrália e Turquia, em novembro deste ano) e 32 (Etiópia, 2027)
Nesse sentido, a rede tem buscado estreitar o diálogo institucional com esses países, que serão responsáveis por sediar e presidir as próximas conferências. Em dezembro de 2025, a gerente executiva da Coalizão, Carolle Alarcon, e o membro do Grupo Estratégico Fernando Sampaio, reuniram-se com a embaixada da Etiópia para apresentar propostas que conectam a experiência brasileira em agricultura e conservação às prioridades da conferência de Adis Abeba.
O encontro serviu para identificar convergências entre o setor produtivo e ambiental brasileiro e a estratégia etíope. O país africano, que hoje lidera a Green Legacy Initiative (iniciativa de larga escala voltada ao reflorestamento e à segurança alimentar), destacou que sua presidência na COP 32 terá um foco em resultados concretos para o desenvolvimento sustentável e adaptação climática. Durante a reunião, os representantes da Coalizão entregaram o documento “Propostas para uma transição climática global para o uso da terra”. O texto, que já havia sido apresentado no ano passado em fóruns internacionais, como a Climate Week de Nova York, propõe caminhos para temas como rastreabilidade, bioeconomia e financiamento. Participaram do encontro, pela Embaixada da Etiópia, o embaixador Leulseged Tadese Abebe e o segundo secretário Desalegn Seyoum.
“O ano de 2025 foi um divisor de águas para a inserção internacional da rede. Lançamos propostas robustas a partir da experiência do Brasil para o uso da terra, dialogando especialmente com países que têm um perfil de emissões e produção parecido com o nosso”, afirma Carolle Alarcon.
A admissão da Coalizão como observadora oficial da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), em 2025, ampliou a capacidade da rede de monitorar desdobramentos técnicos, como o grupo de trabalho de Sharm el-Sheikh sobre agricultura. Para os próximos ciclos, o objetivo é acompanhar a implementação de roadmaps de descarbonização e os compromissos de combate ao desmatamento, garantindo que as propostas levadas por especialistas da rede ganhem tração nas negociações internacionais.
“A agenda de uso da terra entrou definitivamente para a pauta das COPs. Essa aproximação entre as agendas de biodiversidade e clima acontece muito no nosso cenário, seja falando sobre transparência, comércio, restauração ou bioeconomia”, destaca Alarcon.