Rede inicia aproximação com futuras presidências da Conferência do Clima de 2026 para fortalecer o diálogo sobre agricultura e sistemas alimentares no cenário global

Passada a COP 30, em Belém, a Coalizão Brasil já trabalha para garantir que o uso da terra permaneça como um dos eixos centrais nos próximos ciclos das negociações climáticas.
Em fevereiro, a rede deu passos importantes em sua agenda internacional ao realizar reuniões institucionais com as embaixadas da Turquia e da Austrália, países que compartilharão a presidência da COP 31. Os encontros em Brasília buscaram assegurar que as soluções baseadas na natureza e a transformação dos sistemas alimentares — consolidadas na agenda brasileira durante a cúpula no Pará — tenham fôlego e ambição renovada nas discussões que ocorrerão em novembro.
Em janeiro, representantes da Coalizão já haviam se reunido com o embaixador da Etiópia no Brasil. O país africano será anfitrião da COP 32, em 2027.
Fortalecimento da Agenda de Ação e foco na agenda de uso da terra
Representantes da Coalizão encontraram-se, em 12 de fevereiro, com diplomatas da Embaixada da Austrália. O país liderará as negociações climáticas na COP 31 e organizará um encontro no meio do ano que definirá a pauta da cúpula.
Espera-se que a Austrália priorize discussões sobre o avanço da agenda de transição energética e adaptação. O país também terá importante interlocução com Estados insulares do Pacífico, que, devido ao aumento do nível do mar, estão entre os mais vulneráveis aos impactos da mudança climática.
Durante o encontro, Kenneth-Shu-Yue He, Segundo Secretário da Embaixada, e Luke Hynes-Bishop, conselheiro climático para a América Latina, revelaram o interesse australiano em manter a pressão política sobre a agenda de agricultura e uso da terra, temas figuraram entre as prioridades do Brasil na COP 30.
Nesse contexto, Carolle Alarcon, gerente executiva da Coalizão, e Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico da Coalizão, reforçaram o potencial do Brasil de liderar pelo exemplo na implementação. Eles enfatizaram como o manejo responsável do território e a agropecuária de baixo carbono oferecem oportunidades de mitigação com alta eficiência e baixo custo, especialmente para as nações do Sul Global.
Já em 25 de fevereiro, Alarcon e Lara Godoy, consultora da BMJ Consultores Associados, reuniram-se com o embaixador da Turquia no Brasil, Halil Ibrahim Akça, e sua equipe diplomática. Um dos pontos centrais da conversa foi o papel que o país-sede da COP 31 desempenhará na condução da Agenda de Ação estabelecida pelo Brasil na conferência anterior, mecanismo essencial para dar escala às iniciativas da sociedade civil e do setor privado que ganharam tração no último ano.
“Nosso objetivo é garantir que os avanços conquistados em Belém continuem orientando as próximas conferências. O uso da terra e a transformação dos sistemas alimentares como agentes da solução climática é um legado que a COP 30 no Brasil deve deixar”, explica a gerente executiva da Coalizão.