Rede celebra trajetória e aponta caminhos para desafios climáticos; encontro teve participação da ministra Marina Silva e de enviados especiais da conferência

Os avanços na agenda agroambiental da última década e as oportunidades para a pauta nos próximos anos, a começar pela Conferência do Clima em Belém (COP 30), foram os principais temas da Plenária Coalizão Brasil 10 anos, realizada no último dia 3, na Casa Natura Musical, em São Paulo. Cerca de 120 pessoas estiveram presentes, e mais de 800 acompanharam a transmissão online.
“A plenária de hoje é um espaço para refletirmos sobre a contribuição que queremos e podemos oferecer ao país”, anunciou Karen Oliveira, cofacilitadora da rede, na abertura. “Quero encorajar cada um de vocês a promover uma reflexão positiva e a atuarmos para um futuro mais sustentável. Juntos, nós fazemos a diferença.”
A ministra do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, Marina Silva, que participou de forma online, destacou que o Brasil tem oportunidade de realizar investimentos diretos em agendas que conciliam conservação com “um novo ciclo de prosperidade”. Marina citou iniciativas como políticas públicas de fomento à restauração ecológica, bioeconomia e concessões florestais, além da aprovação, no Congresso Nacional, de um projeto de lei que cria o mercado regulado de carbono. A ministra também mencionou avanços no combate ao desmatamento e alertou para a necessidade de engajamento internacional com a transição energética justa – um movimento que, segundo ela, tem perdido recursos para os conflitos bélicos.
“A existência da Coalizão está ligada à missão (de mantermos o aumento da temperatura global a até) 1,5 grau Celsius”, avaliou a ministra. “É um alinhamento com a ideia de um novo ciclo de prosperidade e com o fortalecimento do multilateralismo. É a única maneira de fazer o enfrentamento de problemas que são incomparavelmente maiores do que nós Sempre digo que, quando não nos preparamos para mudar, somos mudados. Que bom que 10 anos atrás vocês decidiram se preparar para fazer a mudança. Que bom que podemos contar com aqueles que tiveram visão antecipatória.”
Dan Ioschpe, High Level Champion da COP 30, destacou os 30 objetivos-chave enumerados pelo Brasil na Agenda de Ação Global, lançada em 20 de junho. “Tudo o que está proposto ali dialoga com o que foi definido no Acordo de Paris pelos países-membros e com os temas com os quais a Coalizão trabalha”, observou.
Ioschpe também conclamou os membros da rede a demonstrarem ao mundo como o Brasil pode contribuir para o enfrentamento à crise climática. “Vamos trabalhar juntos na implementação de soluções reais. Sabemos o que precisa ser feito e, cada um, em sua área de atuação, pode fazer a diferença ao implementar essas soluções com mais velocidade”.
Os enviados especiais da COP 30 Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, e André Guimarães, diretor executivo do Ipam, e membro do Grupo Estratégico da Coalizão, destacaram a interdependência entre produtividade no campo e conservação ambiental.
“É comprovado cientificamente que a presença de vegetação nativa em áreas próximas a plantios contribui para aumentar a produtividade agrícola. Ou seja, se não fizermos investimentos hoje em conservação e restauração, vai faltar alimento no futuro”, analisou Guimarães. “Clima, floresta e agricultura têm tudo a ver e os fundadores da Coalizão foram visionários ao estabelecer essa relação há dez anos.”
Rodrigues ressaltou que o Brasil tem bons exemplos e soluções a mostrar na produção agrícola. “O mundo vê a agricultura como mecanismo para solucionar a insegurança alimentar e o país tem um protagonismo indiscutível para apresentar um modelo de desenvolvimento agrícola sustentável que não só promove segurança alimentar, como também produz biomassa para geração de energia”, pontuou o ex-ministro.

Painéis discutiram passado e futuro da agenda agroambiental
A plenária contou com dois painéis de discussão. O primeiro, com moderação de Marcello Brito – também enviado especial da COP 30 e ex-cofacilitador da Coalizão –, abordou as mudanças na agenda agroambiental do país nos últimos dez anos, em paralelo à trajetória da rede. Participaram Luana Maia, Global Brazil Lead da NatureFinance e ex-coordenadora executiva da Coalizão, Miriam Prochnow, diretora da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), Paulo Hartung, presidente executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.
Já o segundo painel discutiu o cenário brasileiro rumo à COP 30 e perspectivas para os próximos dez anos. Com moderação de Fabiola Zerbini, diretora executiva da Conexsus – Instituto Conexões Sustentáveis, a sessão contou com Liège Vergili Correia, diretora de Sustentabilidade da JBS Brasil, Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, Marcelo Morandi, pesquisador da Embrapa, e Nabil Kadri, superintendente da área de Meio Ambiente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O encerramento ficou a cargo da gerente executiva da Coalizão, Carolle Alarcon, e dos cofacilitadores Fernando Sampaio e Karen Oliveira.
“A Coalizão deve ter o papel de aproximar as pessoas, aprofundar o debate e gerar confiança. Entendemos que todos aqui compartilham da visão de que conciliar produção com conservação é possível e gera benefícios”, afirmou Sampaio. “Teremos muito trabalho para enfrentar os desafios que foram abordados na plenária, de inclusão de pequenos produtores, promoção da economia da floresta, implementação do Código Florestal. Queremos que a Coalizão continue com esse papel de construir pontes e de pensar estratégias para o país.”
Assista à integra da plenária aqui.