07/2025

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Segurança alimentar, finanças verdes e parcerias internacionais pautam painel rumo à COP 30

Encontro da Coalizão discutiu oportunidades para a agenda agroambiental na próxima década; Conferência do Clima será marco para apresentação de soluções

Painel da Plenária Coalizão Brasil 10 anos propôs caminhos para o país assumir a liderança na transição climática. Foto: Maria Isabel Oliveira

Garantir a segurança alimentar, criar instrumentos financeiros para viabilizar a floresta em pé, dar escala à restauração ecológica e promover alianças estratégicas em negociações climáticas com países como a China. Estes desafios, entre tantos outros, devem ser assumidos pelo Brasil nos próximos dez anos, tendo como grande marco a Conferência do Clima de Belém (COP 30).

O tema foi discutido no painel “Rumo a Belém e a 2035: oportunidades para a próxima década”, realizado na Plenária Coalizão Brasil 10 anos. O evento, realizado em São Paulo no dia 3 de julho, foi acompanhado presencialmente por cerca de 120 pessoas, e por mais de 800 no canal do YouTube da Coalizão. Para assistir à gravação, clique aqui. A plenária discutiu, ainda, avanços dos últimos dez anos na agenda do uso da terra e caminhos estratégicos daqui em diante.

Com moderação de Fabiola Zerbini, diretora executiva da Conexsus, a sessão contou com André Guimarães, diretor executivo do Ipam e enviado especial da COP 30, Liège Vergili Correia, diretora de Sustentabilidade da JBS Brasil, Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, Marcelo Morandi, pesquisador da Embrapa, e Nabil Kadri, superintendente da área de Meio Ambiente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Estamos em um ano de muita responsabilidade coletiva, de levar à sociedade a importância da discussão climática, que precisa ser coordenada com os desafios geopolíticos e humanitários que estamos enfrentando”, atentou Zerbini. Para isso, segundo a moderadora, os diferentes setores do país precisam atuar alinhados em marcos estratégicos nacionais, como o Plano Clima, e negociações internacionais – entre elas, a Agenda de Ação da COP 30.

Liège Correia destacou que o setor pecuário tem se organizado de forma setorial e pré-competitiva, para que possa atuar de forma conjunta. “É hora de aplicar o que já sabemos que funciona; escalar, compartilhar e democratizar a informação para que todos possam avançar. Os grandes produtores não conseguirão isso sem ter junto a base dos pequenos produtores.”

Marcelo Morandi elegeu a segurança alimentar como um ponto fundamental para o equilíbrio global econômico. Para o pesquisador da Embrapa, o Brasil tem o potencial de ditar as regras para essa agenda, “a partir da nossa ciência e do nosso setor produtivo e financeiro”:

“Não existe um único modelo que sirva para todo mundo. A coexistência e a convivência dos diferentes modelos de agricultura é uma fortaleza para o Brasil — desde os pequenos até os grandes produtores. Devemos olhar para essa diversidade como uma grande riqueza no país. É um ativo que não estamos sabendo reconhecer.”

A segurança alimentar é, segundo André Guimarães, um dos motivos pelos quais a China deverá vir em peso à conferência. O país, que já acompanha e investe na pecuária brasileira, deve ser visto como um parceiro estratégico, que poderia apoiar o Brasil na conservação de florestas.

“A janela de oportunidade para dialogar com a China é mostrar que cuidar do Cerrado e da Amazônia é um bom negócio. Se os chineses entenderem isso, podem ajudar a custear essa questão”, defendeu Guimarães. “Vamos precisar de dezenas, talvez centenas de bilhões de dólares para fazer o ‘turnaround’ da Amazônia, conservar o Cerrado e destinar cerca de 50 milhões de hectares de terras públicas. Não faremos isso só com capital próprio — e nem seria justo. Vamos tornar essa aliança com a China mais estratégica, e a COP 30 é uma oportunidade única.”

Luciana Nicola alertou para a necessidade de se construir novas formas de levar recursos à agenda da transição climática e conservação da natureza. “A prateleira de produtos e serviços financeiros de hoje não será suficiente para responder a esses desafios. É preciso entender como trazer outros atores para colaborar.”

Uma solução, apontada pela diretora de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, é o engajamento de empresas, coalizões, academia e setores em novos arranjos, em um esforço que não se restrinja à concessão de crédito.

Nabil Kadri, do BNDES, lembrou o papel da articulação diplomática do Brasil na promoção das agendas de clima e biodiversidade. Essa trajetória, iniciada na Rio 92, terá seu próximo capítulo na COP 30, quando o país terá a oportunidade de mostrar exemplos de financiamento climático. Este avanço pode ser visto, por exemplo, na restauração de ecossistemas, uma atividade que angariou investimentos importantes do setor privado: 

“O que tem sido feito nos últimos anos é incomparável. Não se trata de programa público. Estamos falando de modelo de mercado, que olha para as florestas e seus ativos – seja cacau, castanha, carbono – como mercado e solução viável e sustentável a médio e longo prazo”, sublinhou. “Na COP 30, o Brasil tem que ser capaz de colocar esses exemplos e encontrar parceiros, como China e União Europeia, que estejam juntos nessa agenda positiva.”

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