07/2025

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Plano Safra incorpora propostas da Coalizão relacionadas a zoneamento climático e mudas de espécies nativas

Recursos para recuperação de pastagens degradadas são menores do que o esperado; anúncio para ATER ficou abaixo do ano passado

Cultivo de arroz: Plano Safra é principal orientador da política agrícola do país. Foto: Nedrofly/iStock

Anunciado no dia 1º de julho, o Plano Safra Agricultura Empresarial 2025/2026, com recursos de R$ 516,2 bilhões, atendeu parte das propostas da Coalizão Brasil, trazendo avanços importantes para a transição sustentável da agricultura, embora existam pontos que podem ser aprimorados.

Para Leila Harfuch, colíder da Força-Tarefa (FT) Finanças Verdes da Coalizão, um dos destaques do texto da principal política agrícola do país está nos avanços em instrumentos como o zoneamento agrícola de risco climático (Zarc). “Vejo como positiva essa exigência adicional para gestão de riscos, sob a ótica climática, dentro do crédito rural”, afirma ela, que também é sócia-gerente da consultoria Agroicone.

Medidas relacionadas à Zarc estavam entre as contribuições ao Plano Safra enviadas pela Coalizão em março. As propostas foram elaboradas pela Agroicone e discutidas e endossadas pela FT Finanças Verdes, com a participação de outras forças-tarefa da rede. 

Outra recomendação da Coalizão incorporada ao Plano Safra é o financiamento de mudas nativas, embora o texto do plano tenha focado apenas no plantio para recomposição de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente (APPs), ou seja, para fins de regularização ambiental. “A expectativa era um avanço também na esfera comercial de silvicultura de espécies nativas, mas já é um primeiro passo”, pondera Harfuch.

“Vemos o Plano Safra como um aprimoramento contínuo. Não é à toa que estamos há anos sugerindo contribuições de ações sustentáveis que, muitas vezes, só poderão ser implementadas a médio e longo prazos”, acrescenta.

Outro ponto de atenção são os recursos para a conversão e recuperação de pastagens degradadas, um tema fundamental das propostas da Coalizão. Foram anunciados R$ 2,1 bilhões em recursos dentro do RenovAgro Recuperação e Conversão. É um avanço, mas ainda distante dos R$ 10 bilhões defendidos pela rede como necessários para estruturar essa agenda em escala.

Harfuch também destaca que é preciso aprimorar a questão do seguro rural. “Não podemos deixar de avançar no seguro rural, dadas as mudanças do clima e os eventos extremos cada vez mais recorrentes.”

Esforços para a agricultura familiar

O governo também anunciou, em junho, o Plano Safra Agricultura Familiar 2025/2026, que prevê R$ 89 bilhões de recursos. Segundo Harfuch, “houve um esforço do governo na manutenção da taxa de juros reduzida para esse público”, de 3% ao ano. Essa taxa foi mantida para as quatro principais linhas de transição justa e climática do setor, que são o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Semiárido, Agroecologia, Bioeconomia e Floresta.

Ainda assim, há o desafio de alavancar a tomada de recursos, que, segundo Harfuch, ainda é pequena, exceto para a bioeconomia, que cresceu nas últimas safras e passou por reformulações de financiamento.

Um dos grandes gargalos está relacionado à assistência técnica e extensão rural (ATER), que é fundamental para promover a sustentabilidade na agricultura familiar, como a implementação de sistemas agroflorestais. Foram anunciados R$ 240 milhões – valor abaixo da edição anterior, que foi de R$ 307 milhões.

“Por outro lado, existe complexidade em apresentar projetos desse tipo para as instituições financeiras. Precisa ter detalhamento, acompanhamento, são projetos de mais longo prazo”, alerta Harfuch.

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