10/2024

Tempo de leitura: 4 minutos

Compartilhar

Força-Tarefa Finanças Verdes contribuirá com taxonomia sustentável

Grupo tem realizado discussões para entender desafios e caminhos para uma classificação que traga impactos climáticos, ambientais e sociais

Foto: Sukkasemsakorn/iStock

Até o final do ano, o governo brasileiro deve divulgar e abrir para consulta pública uma primeira versão da taxonomia sustentável do país. Por isso, a Força-Tarefa Finanças Verdes da Coalizão Brasil tem se debruçado para entender como o grupo poderá contribuir com o tema, com foco no setor do uso da terra.

 “A ideia principal é buscar uma classificação de atividades econômicas consideradas alinhadas com objetivos ambientais e climáticos e, no caso do Brasil, também sociais”, afirma Priscila Souza, colíder da FT. Com esse sistema, será possível direcionar melhor recursos e programas públicos, bem como investimentos de empresas.

Essa classificação é de grande relevância para os setores agropecuário e florestal brasileiros, pois três quartos das emissões de gases de efeito estufa do país provêm de mudanças no uso da terra, ressalta Souza, que também é gerente sênior de Avaliação de Política Pública do CPI/PUC-Rio.

 “O agro precisa fazer uma transição para o baixo carbono, além de ser um dos setores mais atingidos por toda a crise ambiental e climática que estamos passando”, acrescenta. “É importante que a agropecuária atue com os incentivos econômicos adequados, para estabelecer maior produtividade com conservação dos nossos recursos naturais.”

A taxonomia sustentável faz parte do eixo de finanças sustentáveis do Plano de Transformação Ecológica. Em 2023, um plano de ação foi lançado na COP 28, em Dubai. A partir daí, teve início a elaboração de uma primeira versão, que, até o final do ano, deverá ser divulgada e aberta para consulta pública.  A adoção obrigatória dos critérios está prevista para janeiro de 2026.

Assim, desde julho, a FT Finanças Verdes tem realizado uma série de reuniões, para que diferentes membros e especialistas apresentem seus estudos sobre o tema e deem insumos às discussões.

“Tendo primeiro elucidado dentro da FT o que é essa taxonomia sustentável brasileira, vamos avaliar de que forma podemos incidir no debate para, assim que a consulta pública for aberta, definir em que direção gostaríamos que a taxonomia fosse encaminhada”, explica Souza.

A FT também participa do Grupo de Trabalho de Taxonomia da Câmara Temática de Agrocarbono Sustentável, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que está identificando conceitos e barreiras para a construção da taxonomia sustentável e pretende contribuir com propostas para a taxonomia rural na consulta pública.

Para a FT, há desafios complexos do ponto de vista técnico. Por exemplo, existem diferentes formas de fazer plantio direto ou sistemas de irrigação, com diferentes impactos ambientais, climáticos e sociais. Nessa discussão, é preciso considerar, para cada atividade, as salvaguardas socioambientais. Além disso, é necessário avaliar se uma atividade ou projeto que atende a um determinado objetivo (como o climático) não prejudicará outros igualmente relevantes (como o ambiental e o social).

Ao mesmo tempo, a classificação não deve se tornar algo tão complexo que torne o monitoramento difícil. “Neste momento a parte técnica é importante, mas é preciso precisa pensar na implementação e na capacidade de monitoramento. Não adianta ter uma taxonomia que seja a melhor possível do ponto de vista técnico, mas que não consiga efetivamente direcionar financiamentos”, conclui. 

Leia também
Assine nossa Newsletter
Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi realizada com sucesso.