Grupo tem realizado discussões para entender desafios e caminhos para uma classificação que traga impactos climáticos, ambientais e sociais

Até o final do ano, o governo brasileiro deve divulgar e abrir para consulta pública uma primeira versão da taxonomia sustentável do país. Por isso, a Força-Tarefa Finanças Verdes da Coalizão Brasil tem se debruçado para entender como o grupo poderá contribuir com o tema, com foco no setor do uso da terra.
“A ideia principal é buscar uma classificação de atividades econômicas consideradas alinhadas com objetivos ambientais e climáticos e, no caso do Brasil, também sociais”, afirma Priscila Souza, colíder da FT. Com esse sistema, será possível direcionar melhor recursos e programas públicos, bem como investimentos de empresas.
Essa classificação é de grande relevância para os setores agropecuário e florestal brasileiros, pois três quartos das emissões de gases de efeito estufa do país provêm de mudanças no uso da terra, ressalta Souza, que também é gerente sênior de Avaliação de Política Pública do CPI/PUC-Rio.
“O agro precisa fazer uma transição para o baixo carbono, além de ser um dos setores mais atingidos por toda a crise ambiental e climática que estamos passando”, acrescenta. “É importante que a agropecuária atue com os incentivos econômicos adequados, para estabelecer maior produtividade com conservação dos nossos recursos naturais.”
A taxonomia sustentável faz parte do eixo de finanças sustentáveis do Plano de Transformação Ecológica. Em 2023, um plano de ação foi lançado na COP 28, em Dubai. A partir daí, teve início a elaboração de uma primeira versão, que, até o final do ano, deverá ser divulgada e aberta para consulta pública. A adoção obrigatória dos critérios está prevista para janeiro de 2026.
Assim, desde julho, a FT Finanças Verdes tem realizado uma série de reuniões, para que diferentes membros e especialistas apresentem seus estudos sobre o tema e deem insumos às discussões.
“Tendo primeiro elucidado dentro da FT o que é essa taxonomia sustentável brasileira, vamos avaliar de que forma podemos incidir no debate para, assim que a consulta pública for aberta, definir em que direção gostaríamos que a taxonomia fosse encaminhada”, explica Souza.
A FT também participa do Grupo de Trabalho de Taxonomia da Câmara Temática de Agrocarbono Sustentável, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que está identificando conceitos e barreiras para a construção da taxonomia sustentável e pretende contribuir com propostas para a taxonomia rural na consulta pública.
Para a FT, há desafios complexos do ponto de vista técnico. Por exemplo, existem diferentes formas de fazer plantio direto ou sistemas de irrigação, com diferentes impactos ambientais, climáticos e sociais. Nessa discussão, é preciso considerar, para cada atividade, as salvaguardas socioambientais. Além disso, é necessário avaliar se uma atividade ou projeto que atende a um determinado objetivo (como o climático) não prejudicará outros igualmente relevantes (como o ambiental e o social).
Ao mesmo tempo, a classificação não deve se tornar algo tão complexo que torne o monitoramento difícil. “Neste momento a parte técnica é importante, mas é preciso precisa pensar na implementação e na capacidade de monitoramento. Não adianta ter uma taxonomia que seja a melhor possível do ponto de vista técnico, mas que não consiga efetivamente direcionar financiamentos”, conclui.