08/2025

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Incêndios impulsionam alta de 4% no desmatamento na Amazônia; Coalizão defende medidas estruturantes

Cerrado registrou recuo de 20,8% em área comprometida após engajamento de governos estaduais em processos de licenciamento

Devastação na Amazônia: estudo do WRI indicou que avanço do desmatamento no bioma foi influenciado pelos incêndios registrados no segundo semestre do ano passado. Foto: Bruno Kelly

A Amazônia registrou alta de 4% nos alertas de desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025, enquanto o Cerrado apresentou queda de 20,8% no mesmo período, segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados em 7 de agosto. No bioma amazônico, a área sob alerta chegou a 4.495 km², contra 4.321 km² no ciclo anterior — o segundo menor índice da série histórica. No Cerrado, a área comprometida recuou de 7.014 km² para 5.555 km².

Esses dados encerram a série anual, medida no mesmo período pelo Prodes, outro sistema do Inpe. 

“O crescimento dos alertas de desmatamento na Amazônia interrompe a tendência de queda observada em 2023 e 2024 e traz preocupação. Haverá um retrocesso no combate ao desmatamento se a política de comando e controle não for reforçada por medidas estruturantes e de longo prazo”, analisa Carolle Alarcon, gerente executiva da Coalizão Brasil.

No caso da Amazônia, o aumento foi influenciado pelos incêndios registrados no segundo semestre do ano passado, segundo estudo realizado pelo WRI citado na coletiva de imprensa de lançamento dos dados, feita pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Já quando considerados apenas os alertas por corte raso, sem uso do fogo, houve queda de 8% em relação ao ciclo anterior, atingindo o menor patamar já observado pelo Deter.

O movimento de queda também é observado no Cerrado. “Depois de dois anos de alta, houve reversão na tendência de elevação do desmatamento no bioma, principalmente devido ao engajamento com governos estaduais no processo de licenciamento”, comenta Ane Alencar, colíder da Força-Tarefa Combate ao Desmatamento, da Coalizão, e diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Para Alarcon, com a proximidade da COP 30 e o foco internacional sobre as florestas tropicais, o Brasil precisa reafirmar seu compromisso com o desmatamento zero. “A Coalizão defende o constante fortalecimento da fiscalização ambiental e a responsabilização dos ilícitos, a implementação plena e transparente do Código Florestal –  com destaque à regularização ambiental via Cadastro Ambiental Rural (CAR) – e a ampliação dos incentivos econômicos positivos, como o crédito rural, a rastreabilidade das cadeias produtivas e os pagamentos por serviços ambientais”, assinala. Em março, a Coalizão lançou o documento “Brasil sem desmatamento: 12 propostas integradas para a conservação e o desenvolvimento sustentável”, em que listou medidas para zerar o desmatamento ilegal e desestimular a prática mesmo quando é permitida por lei. A publicação considera os desafios específicos de cada cenário. Para saber mais, clique aqui.

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