Em reunião em Brasília com Simon Stiell, gerente executiva da Coalizão propôs que a COP 30 destaque a conexão entre clima e biodiversidade

A Coalizão Brasil participou, no último dia 4, de uma reunião entre representantes da sociedade civil do país e o secretário-executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell. Da rede, estiveram presentes Carolle Alarcon, gerente executiva, e André Guimarães, membro do Grupo Estratégico e diretor executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
Alarcon destacou a importância de a Conferência do Clima de Belém, a COP 30, ser marcada pela implementação efetiva dos acordos climáticos, e apontou temas que a Coalizão considera prioritários.
Um deles é promover a maior integração entre as agendas de clima e biodiversidade, com soluções baseadas na natureza colocadas como elemento central no enfrentamento da crise climática. Outro tema prioritário é a transformação dos sistemas alimentares, por meio de uma agricultura alinhada à conservação da biodiversidade e das florestas e ao enfrentamento das mudanças do clima.
Além disso, a gerente executiva também lembrou que é preciso acelerar o processo de credenciamento na COP para garantir a participação efetiva da sociedade civil nas negociações.
Durante a sua visita ao Brasil, Stiell afirmou, em discurso, que espera que os países que aderiram ao Acordo de Paris submetam até setembro seus novos compromissos para redução das emissões de gases de efeito estufa, as NDCs. O prazo inicial para isso era 10 de fevereiro, mas, nessa data, apenas 13 das 195 Partes, como são chamados os países signatários do tratado, haviam apresentado a atualização de suas metas.
A UNFCCC deve divulgar um relatório-síntese das NDCs antes da COP. “No Brasil, no final deste ano, o mundo decidirá sobre as metas específicas que queremos usar para medir o quão protegidos estamos dos crescentes impactos climáticos”, disse Stiell.
Em janeiro, o governo federal anunciou que a COP 30 será presidida pelo embaixador André Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores. A escolha do diplomata, que tem extensa experiência nas negociações climáticas, foi saudada por diversas organizações da sociedade civil e do setor privado, inclusive a Coalizão.
“É um diplomata de ampla experiência, que reúne as qualidades essenciais para exercer essa função”, exaltou Alarcon. “Sua liderança está à altura do grande desafio que representa a organização da COP mais crucial dos últimos dez anos, em um momento decisivo para o multilateralismo global.”
Para contribuir com a agenda brasileira para a COP, a Coalizão criou um Grupo de Trabalho do Clima. “Nosso movimento surgiu há dez anos, no processo do Acordo de Paris, unindo diferentes setores na busca por soluções que conciliem produção e conservação”, reflete a gerente executiva. “Hoje, nossa contribuição para a agenda brasileira se dará via Plano Clima Participativo, com foco em conectar clima, biodiversidade e sistemas alimentares. Queremos que a COP 30 deixe um legado real para o Brasil, transformando compromissos em implementação efetiva.”