Karen Oliveira, diretora para Políticas Públicas e Relações Governamentais da TNC Brasil, diz que a Coalizão estará a serviço da agenda climática e do desenvolvimento sustentável do país

O ano de 2025 será desafiador para o Brasil. O país assumirá a presidência rotativa do Brics e sediará a próxima Conferência do Clima (COP 30). Esses momentos estratégicos serão acompanhados pela Coalizão e sua nova cofacilitadora, Karen Oliveira. Diretora para Políticas Públicas e Relações Governamentais da The Nature Conservancy (TNC) Brasil, Oliveira assumiu a cofacilitação da rede em janeiro e permanecerá no cargo até o final de 2026.
A nova cofacilitadora afirma que as fortalezas da rede deverão estar voltadas a auxiliar o país a implementar políticas e planos para alcançar sua NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), compromisso assumido no âmbito do Acordo de Paris. “A Coalizão é um dos coletivos mais fortes do Brasil e, quem sabe, da América Latina, com uma grande diversidade de atores”, analisa. “Está sempre envolvida nas discussões mais relevantes da agenda do clima e uso da terra e, portanto, apta a oferecer uma contribuição técnico-científica muito significativa para a tomada de decisão do governo.”
Oliveira faz parte da Coalizão desde 2018. É geóloga, tem mestrado em Planejamento Estratégico e doutorado em Relações Internacionais. Ela ocupará a facilitação da rede ao lado de Fernando Sampaio, diretor de Sustentabilidade da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), e também passa a integrar o Grupo Estratégico da rede. A seguir, os principais trechos da entrevista que a nova cofacilitadora deu a este Boletim.
Como começou sua relação com a Coalizão?
A TNC é uma das fundadoras da Coalizão e tem participado ativamente em diversas instâncias da governança. Eu me aproximei da rede por meio de um GT dedicado a Relações Internacionais e Mercado de Carbono em 2018. E assim fui me envolvendo até integrar o Grupo Executivo, com o objetivo de trazer para dentro de casa uma visão mais transversal sobre políticas públicas, algo que já faz parte do meu trabalho na TNC.
A Coalizão Brasil completa 10 anos este ano. Quais você considera as principais fortalezas da rede?
Sem dúvida, a Coalizão é um dos coletivos mais fortes do Brasil e, quem sabe, da América Latina. Basta olharmos o número de membros – superamos os 400 no ano passado. E, mais que o número, a sua força está na diversidade de atores, com representantes do setor privado, organizações da sociedade civil, academia e setor financeiro. O segundo ponto que destaco é a atualidade das discussões da rede. A Coalizão está sempre envolvida nos temas mais relevantes da agenda de clima e uso da terra. Viemos de um ano (2024) em que aconteceram três COPs – clima, biodiversidade e desertificação – e em que a questão do financiamento continuou um impasse, o que levou essas conferências a não terem realmente uma conclusão. A todo momento, a Coalizão esteve ali, debatendo e levando uma contribuição técnico-cientifica muito significativa para as tomadas de decisão do governo.
Agora, como cofacilitadora, qual será seu foco de atuação?
As prioridades da Coalizão são sempre uma construção conjunta entre todos os membros. Eu assumo a coliderança em um momento de muitos desafios. Realizaremos a COP 30 no Brasil, o país deixa a presidência do G20 e assume a dos Brics e 2026 já é ano de eleições. Em 2025, a gente celebra, além dos dez anos da Coalizão, os dez anos do Acordo de Paris. Tivemos avanços em relação a este compromisso, mas ainda há desafios para que ele seja implementado.
Independentemente do que falta fazer, devemos reconhecer o mérito do Brasil em ter se adiantado para apresentar uma nova versão de sua NDC já na COP 29. Sempre queremos que as metas sejam mais ambiciosas, mas precisamos olhar para as políticas efetivas que possibilitarão sua implementação. O país tem feito um esforço nesse sentido, com a revisão das políticas climáticas brasileiras por meio do Plano Clima. E nós, da Coalizão, estamos nos preparando para fazer uma contribuição detalhada dentro do processo de consultas públicas, para que o plano climático seja realmente efetivo. É preciso dizer que a Coalizão tem grande capacidade de escuta e, portanto, para o diálogo. Por isso sua atuação em advocacy costuma ser bem-sucedida. Temos a expectativa de que o governo brasileiro chegue à COP 30 com o Plano Clima pronto para implementação.
Além da contribuição ao Plano Clima, o que esperar da Coalizão na COP 30?
Como disse, a Coalizão está sempre discutindo os temas mais relevantes do cenário. E os eixos temáticos da COP 30 são bastante convergentes com os esforços das forças-tarefas da rede. Adaptação, desmatamento zero, convergência entre clima e biodiversidade, transição ecológica e energética para uma economia de baixo carbono e financiamento são temas prioritários. Nós, enquanto coletivo e com grande capacidade técnica, podemos contribuir identificando novos mecanismos para enfrentamento às mudanças climáticas e modelos de adaptação efetivos. Queremos cooperar cada vez mais com o Brasil, mas precisamos priorizar pontos para que nossos esforços sejam capazes de promover uma mudança sistêmica. Faremos isso coletivamente.