Forças-tarefa têm como referência o documento ’O Brasil que vem’, que traz medidas para acabar com a fome, combater o desmatamento e gerar emprego e renda

De rastreabilidade a segurança alimentar, passando por concessões florestais, restauração e pagamento por serviços ambientais, a Coalizão Brasil procura transformar o diálogo em propostas concretas pelo desenvolvimento sustentável do país. As discussões são pautadas pelo documento “O Brasil que vem: propostas para a agenda agroambiental do país a partir de agora”, lançado em 2022, que indica uma série de medidas a serem tomadas por governos e parlamentares até o fim do atual mandato, no ano que vem. Líderes de forças-tarefa da rede reuniram-se em abril e fizeram um balanço sobre avanços em suas áreas e potenciais contribuições do movimento, dando destaque à sua formação multissetorial.
Fernando Sampaio, cofacilitador da Coalizão e um dos líderes da FT Rastreabilidade e Transparência, avalia que o tema do grupo é fundamental para as propostas da rede porque permite a diferentes setores mostrarem a legalidade de sua produção, a redução de impactos e a conservação da biodiversidade.
“Podemos usar esse sistema de informações para trazer incentivos e benefícios para os produtores que estão progredindo na aplicação de boas práticas ou na conservação de vegetação nativa dentro de suas propriedades”, explica Sampaio, que também é diretor de Sustentabilidade da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Já Ane Alencar, colíder da FT Combate ao Desmatamento e diretora de Ciência do Ipam, destaca que o controle à devastação da vegetação nativa envolve vários setores, já que manter a floresta em pé é fundamental para o clima, a agricultura e a conservação.
“Por isso temos, em todos estes anos, produzido materiais com soluções e recomendações para que o Brasil continue no caminho de redução de desmatamento, como o que temos visto nos dois últimos anos”, conta Alencar. O documento mais recente produzido pela FT, divulgado em março, elenca 12 propostas para zerar o desmatamento no país.
A segurança alimentar é foco da rede e a atuação se dá mais diretamente por uma força-tarefa dedicada ao tema. Entre outras ações, o grupo trabalha com eixos como assistência técnica e extensão rural (ATER) e acompanha a tramitação de projetos de lei no Congresso que tratam de questões afins.
Colíder do grupo, Carla Gheler destaca que o Brasil tem potencial para ser líder na produção sustentável e justa de alimentos:
“É importante que o país promova sistemas alimentares sustentáveis e regenerativos, produzindo alimentos de qualidade e de forma que todos tenham acesso a essa produção, contribuindo para o combate à insegurança alimentar”, ressalta Gheler, que também é coordenadora da Câmara Temática de Sistemas Agroalimentares do CEBDS.
Rubens Benini, colíder da FT Restauração da Coalizão e líder de Florestas e Restauração da TNC Brasil, destaca o potencial para geração de emprego e renda do setor:
“Cada 2,5 hectares restaurados geram um emprego direto, sem contar os indiretos”, explica. Além disso, há os benefícios climáticos. “A restauração é fundamental para que o país consiga de fato reduzir as suas emissões e sequestrar mais carbono.”
Para Leonardo Sobral, que está à frente da FT Concessões Florestais, esse grupo contribui de forma estratégica para dar escala e aumentar áreas de manejo florestal e, assim, garantir a continuidade das florestas em áreas públicas.
“Agora também entrou a agenda de restauração florestal dentro de concessões, e isso é mais uma forma de manter essa vegetação nativa”, afirma Sobral, que também é diretor Florestal do Imaflora.
Para fortalecer a pauta de pagamento por serviços ambientais no país, a FT PSA tem atuado para apoiar o governo na regulamentação da Lei no 14.119, de 2021, que institui a Política Nacional de PSA. Em outra frente, a força-tarefa integra um grupo que discute a criação de um observatório que integrará dados e informações sobre as iniciativas de PSA existentes no país.
“Teremos um ambiente em que será possível fazer trocas de conhecimento e, consequentemente, uma integração de diferentes setores, fortalecendo essa pauta no nível nacional”, afirma Erika Pinto, colíder da FT e coordenadora de Projetos da TNC Brasil.