Elaborado pelo GT 10 Anos, desenho busca ampliar a participação dos membros, qualificar a atuação estratégica e impulsionar a produção técnica da rede

A Coalizão Brasil apresentou, em sua plenária realizada no dia 3 de julho, em São Paulo, uma série de propostas para reorganizar a estrutura da rede em sua próxima década. O novo desenho prevê a criação de uma Diretoria Executiva e de um Conselho Consultivo, a transformação das atuais 12 forças-tarefa (FTs) em quatro Núcleos Temáticos, o fortalecimento do Grupo Estratégico e a ampliação do engajamento das organizações-membro.
As mudanças foram idealizadas por um grupo de trabalho especial, o GT 10 Anos, formado em dezembro do ano passado com o objetivo de avaliar como a estrutura da Coalizão deve evoluir até 2035. Os princípios fundadores da rede não foram rediscutidos e permanecem reconhecidos como a base de sua identidade e atuação.
Liderado pelo ex-cofacilitador Fernando Sampaio, o GT reuniu 19 representantes de diferentes instâncias de governança e da Coordenação Executiva, refletindo a diversidade de perspectivas da rede. Suas propostas foram construídas a partir da análise de 23 documentos históricos, incluindo publicações fundadoras e materiais sobre governança, estratégias de atuação e financiamento.
O diagnóstico também incorporou entrevistas com atores externos e internos, reconhecidos por sua ampla articulação na agenda agroambiental, além de escutas com lideranças das FTs e integrantes dos grupos Executivo (GX) e Estratégico (GE), principais instâncias de governança da Coalizão.
A base de membros enviou suas contribuições por meio de um formulário e aprofundou o debate na última edição do Encontro de Membros, realizado anualmente. O GT, por sua vez, reuniu-se em duas oficinas presenciais para fazer a cocriação das propostas.
A principal conclusão do processo é que a Coalizão chega aos seus dez anos com bases estratégicas sólidas, mas precisa atualizar sua arquitetura de governança para seguir relevante, ágil e efetiva. A estrutura que favoreceu a formação e a expansão da rede em sua primeira década precisa agora dar lugar a um modelo capaz de organizar melhor a articulação política, a produção técnica e a participação dos membros.
Nesse sentido, a criação de uma Diretoria Executiva busca agregar a gestão e a implementação da estratégia da Coalizão. Já o Conselho Consultivo deverá funcionar como um espaço de aconselhamento de alto nível, reunindo lideranças capazes de contribuir com sua visão estratégica e articulação externa.
Outra mudança importante é a substituição das atuais 12 FTs por quatro Núcleos Temáticos. A proposta visa reduzir a fragmentação dos debates, favorecer maior integração entre agendas e organizar a produção técnica da rede.
O fortalecimento do GE, agora nomeado Conselho Estratégico, também faz parte do novo desenho. A proposta é que a instância tenha papel mais claro no direcionamento da rede, contribuindo para definir prioridades, acompanhar a implementação da estratégia e assegurar coerência entre as diferentes frentes de atuação.
As mudanças serão implementadas de forma gradual nos próximos meses. O plano apresentado pelo GT prevê uma transição organizada, com espaços para a participação dos membros.
Com esse processo, a Coalizão busca se preparar para uma nova década de atuação em defesa de uma economia de baixo carbono no uso da terra, capaz de conciliar produção agropecuária, conservação ambiental e enfrentamento da crise climática.