01/2025

Tempo de leitura: 4 minutos

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Coalizão discute potenciais da agricultura regenerativa em Davos

Modelo inovador para produção de alimentos, com capacidade de gerar US$ 1,4 trilhão em negócios, foi tema de painel no Fórum Econômico Mundial

Em painel em Davos, Carolle Alarcon (à esquerda) avaliou que colaboração multissetorial será fundamental para acelerar a transição na agricultura. Foto: Divulgação

A agricultura regenerativa está revolucionando a produção agrícola ao unir sustentabilidade e inovação. Entre suas contribuições, destacam-se a recuperação da saúde do solo, a conservação da biodiversidade e a criação de soluções práticas para mitigar as mudanças climáticas. Com potencial de gerar US$ 1,4 trilhão em negócios e criar 62 milhões de empregos até 2030, o modelo foi tema de destaque em um painel do Fórum Econômico Mundial em Davos, que contou com a participação da Coalizão Brasil.

Carolle Alarcon, gerente executiva da rede, integrou o evento, organizado no último dia 21 pela plataforma Restor, que reúne dados sobre restauração no mundo e tem parceria com o Observatório da Restauração e Reflorestamento no Brasil. Para ela, a agricultura regenerativa e as soluções baseadas na natureza colocam o país no centro das discussões globais rumo a uma economia de baixo carbono.

“Foi uma oportunidade incrível para fomentar o diálogo entre empresas, governos e produtores, discutindo como podemos escalar o apoio financeiro e expandir a adoção da agricultura regenerativa para enfrentar desafios como a degradação do solo e as mudanças climáticas”, explicou Alarcon. “A colaboração multissetorial será fundamental para acelerar a transição na agricultura e maximizar seu impacto positivo no meio ambiente e nas comunidades.”

Com mediação de Claire Descreux, diretora de Parcerias com o Setor Privado da Restor, Alarcon esteve ao lado de Alexandra Brand, vice-presidente de Sustentabilidade, Assuntos Corporativos e Transformação da Syngenta, e Prithvi Naik, cofundador e diretor executivo de Sustentabilidade da Nzatu Europe, organização que atua para implementar sistemas de agrofloresta em diversos países em desenvolvimento, como a Zâmbia, no sul da África.

 “Nossos projetos buscam promover a segurança alimentar e a geração de renda para comunidades locais, como também a manutenção e restauração de ecossistemas para a vida selvagem”, contou Naik.

Ainda que a realidade dos países onde a Nzatu atua seja diferente do Brasil, Naik e Alarcon citaram, em comum, a necessidade de maior financiamento por parte de investidores e instituições financeiras como um dos grandes desafios para que produtores agrícolas consigam fazer a transição para sistemas regenerativos.

“Há iniciativas de bancos no financiamento de projetos, porém precisamos estabelecer e divulgar padrões e boas práticas para que outros investidores e financiadores sintam segurança em aportar recursos”, assinalou a gerente executiva da Coalizão.

Brand destacou, ainda, a importância de que os recursos sejam disponibilizados em longo prazo. “Não basta acompanhar esses produtores por três, cinco anos. Esse é somente o tempo em que um solo altamente degradado leva para ser fértil novamente. O produtor precisa de assistência técnica, sementes e, principalmente, perceber o grande valor do produto dele como incentivo para transicionar para uma agricultura de baixo carbono”, afirmou. “Temos projetos bem-sucedidos com apoio de bancos e hoje há produtor que deseja, inclusive, comprar mais terras degradadas.”

Alarcon lembrou da meta climática do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, citando alternativas para o uso desse solo para além da agricultura, como a silvicultura de espécies nativas, os diversos arranjos agroflorestais possíveis e a comercialização de créditos de carbono como um implemento à renda. “Temos o desafio de entender e quantificar o sequestro de carbono pela agricultura. Os estudos e frameworks já estabelecidos pela ciência não são para regiões tropicais, por isso não podem ser aplicados”, ressaltou.

O painel “Helping farmers turn regenerative agriculture into a sustainable business model” está disponível, na íntegra, aqui.

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