01/2025

Tempo de leitura: 5 minutos

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Documento destaca caminhos para o fortalecimento do mercado de madeira tropical plantada no Brasil

Fruto de workshop realizado pela Coalizão em 2024, publicação aponta desafios e oportunidades para consolidar a silvicultura de espécies nativas como alternativa econômica sustentável

Paricás em Rondônia: silvicultura de espécies nativas se encontra no mesmo cenário visto na década de 1970 com espécies exóticas. Foto: Saulo Frauches

Um novo relatório sobre o panorama do mercado de madeira tropical plantada no Brasil foi lançado este mês pela Coalizão, em parceria com o WWF-Brasil e com o apoio do Bezos Earth Fund. O documento é fruto de um workshop sobre o tema organizado em junho do ano passado pela Força-Tarefa (FT) Silvicultura de Espécies Nativas, que apontou caminhos para o fortalecimento do setor.

O workshop está entre as diversas entregas da FT em 2024. Além da oficina, a força-tarefa levou sua pauta a seminários e à Climate Week em Nova York. Produziu, ainda, ações de advocacy e uma campanha de comunicação nas redes sociais, com mais de 40 postagens explicando como a silvicultura de espécies nativas pode ser transformada em uma nova economia florestal no Brasil.

“Queríamos responder no workshop à questão: ‘Plantar espécie nativa é um bom negócio? Para quem’? Então chamamos toda a cadeia produtiva para discutir sobre isso”, conta Jeanicolau Lacerda, consultor da Lacerda Partners e membro da FT. 

De acordo com Lacerda, a silvicultura de espécies nativas se encontra no mesmo cenário visto na década de 1970 com espécies exóticas, como o pinus e o eucalipto. “Com investimentos, fortalecimento da cadeia e políticas públicas, o mercado para essas espécies se desenvolveu e hoje o Brasil é um dos maiores produtores. O mesmo deve ser feito para as nativas”, conclui.

Para ler mais sobre as conclusões do workshop, acesse o relatório aqui.

Presença no mercado e contribuições científicas

A Coalizão e membros do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) também marcaram presença, ao longo de 2024, em eventos como o Espírito Madeira, no Espírito Santo, o Simpósio Nacional de Ecologia, Conservação e Produção Sustentável do Pau-Brasil, em Ilhéus (BA), o Simpósio Silvicultura de Espécies Nativas na Amazônia, em Belém (PA), e a V Conferência da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (Sobre), realizada em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

“Além das contribuições do ponto de vista científico, esses foram eventos que nos deram a oportunidade de estar com parceiros de projetos, como a Aliança para a Restauração da Amazônia, a Symbiosis Investimentos e a Reserva Natural Vale, entre outros”, conta Rodrigo Ciriello, colíder da FT e sócio-diretor da Futuro Florestal. “Também foram oportunidades para nos aproximarmos dos diversos atores da cadeia da silvicultura de nativas, mostrando que esta é uma excelente alternativa às espécies exóticas.”

“Há entraves na legislação federal para exploração de produtos madeireiros, por isso temos aberto diálogos com o Ibama para incidir nesse aspecto e contribuir para aprimorar o marco regulatório para o plantio de espécies nativas e criar condições específicas para a atividade no Sinaflor (Sistema Nacional de Controle de Origem dos Produtos Florestais)”, acrescenta Ciriello.

Os membros da FT têm também trabalhado junto aos estados. “O governo da Bahia nos convidou para discutir questões fiscais que podem ser um entrave ao mercado madeireiro de espécies nativas”, ressalta o colíder. “A Coalizão conta com pessoas com grande conhecimento técnico, por isso levamos propostas técnicas para uma discussão de alto nível”, diz.

Houve também reuniões com os ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, dos Povos Indígenas e do Desenvolvimento Agrário. Além do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Em 2024, o PP&D-SEN completou um ano, com a implantação de sítios de pesquisa na Mata Atlântica e na Amazônia e financiamento do Bezos Earth Fund. “Agora, em 2025, nosso objetivo é destravar um recurso para financiamento ao programa via BNDES, assim como buscar outros financiadores públicos e privados para ampliar a pesquisa para o Cerrado e a integração da FT Silvicultura de Espécies Nativas com outras forças-tarefa da Coalizão”, conta Miguel Calmon, também colíder da FT e diretor sênior de Programas da Conservação Internacional do Brasil (CI-Brasil).

Calmon assinala que, por meio do SFB, o PP&D-SEN oferecerá capacitações em silvicultura de nativas, que serão realizadas na modalidade EAD virtual, visando alcançar um público mais amplo para essa nova economia florestal.

Para saber mais, acesse a página especial do site da Coalizão sobre silvicultura de nativas.

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