Ao deixar a posição de cofacilitadora da rede, diretora do Instituto Arapyaú passará a atuar do Grupo Estratégico

Renata Piazzon, diretora-geral do Instituto Arapyaú, concluiu seu mandato de dois anos como cofacilitadora da Coalizão Brasil em dezembro. Sua trajetória rumo à liderança do movimento foi marcada por uma série de contribuições significativas: Piazzon foi membro do Grupo Executivo e coliderou o Comitê Eleições, que articulou diálogos com candidatos aos governos nacional e subnacionais em 2022, além de coordenar a elaboração de um documento com propostas da rede.
Ao assumir a cofacilitação, Piazzon definiu como uma de suas prioridades o fortalecimento do advocacy da rede. Meses depois, esta área ganhou uma coordenação dedicada, com sede em Brasília. Piazzon também desempenhou papel fundamental na captação de recursos para a Coalizão e na expansão de sua agenda internacional.
Com o término de seu mandato, Piazzon atuará como membro do Grupo Estratégico, instância responsável por orientar as diretrizes da Coalizão. Nesta entrevista, ela compartilha sua visão sobre como a rede pode apoiar o cumprimento das metas climáticas do país e que papel deve exercer na COP 30.
Como você avalia a sua atuação como cofacilitadora na Coalizão?
Foram dois anos de intensos aprendizados e também de esforços para fortalecer a rede e avançar na agenda do uso sustentável da terra e de uma economia de baixo carbono. Em especial, conseguimos fortalecer a capacidade de advocacy da Coalizão, com a criação de uma coordenação para a área sediada em Brasília, o que permite à rede incidir melhor nas políticas públicas. Também atuamos pela sustentabilidade financeira, com a contratação de profissionais dedicados à captação de recursos na equipe da Coordenação Executiva. Aliás, esse time, que cuida do dia a dia da rede, aumentou de cinco para 11 pessoas nestes dois anos, como resposta ao próprio crescimento da rede. Ganhamos maior representação em eventos internacionais de alto nível, como nas edições mais recentes da Climate Week Nova York e a Conferência do Clima de Dubai (COP 28).
Agora que você deixou a posição de cofacilitadora, como pretende atuar dentro da Coalizão?
Temos um grupo de ex-facilitadores da Coalizão que contribuiu muito nos meus dois anos como cofaciltadora. É um grupo muito ativo, que apoia em momentos de crise, na representação em eventos e na atuação em Brasília. Então, pretendo seguir muito ativa ali e, também, no Grupo Estratégico.
Espero representar a Coalizão institucionalmente nos espaços que já ocupo, seja na Climate Week, nas COPs e no Fórum Econômico Mundial, além de ajudar na priorização das estratégias de advocacy e, especialmente, nas entregas da Coalizão para a COP 30, com um olhar voltado para a interseção entre agronegócio e clima.
Qual será o papel da Coalizão na próxima Conferência do Clima?
A Coalizão surgiu na COP 21 de Paris, em 2015, e teve papel fundamental para influenciar a NDC do Brasil. Agora, dez anos depois, teremos uma Conferência do Clima no Brasil. A Coalizão deverá ter novamente uma atuação de relevância para contribuir na elaboração dos planos setoriais que vão levar ao cumprimento das novas metas climáticas do país, apresentadas na COP no Azerbaijão, em 2024. Espero que a Coalizão possa ajudar nos diálogos e a fazer a ponte com o agronegócio, garantindo que estes planos contemplem a visão de todos os setores, nessa busca de convergência que tanto representa a nossa rede.