04/2025

Tempo de leitura: 4 minutos

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‘Queremos fortalecer nossa visão de futuro e capacidade de incidência’, diz gerente-executiva da Coalizão

Carolle Alarcon detalha as ações previstas para celebrar os dez anos da rede, como processos de escuta, agendas prioritárias e papel na COP 30

Carolle Alarcon, gerente-executiva da Coalizão Brasil. Foto: Maria Isabel Oliveira

A Coalizão Brasil completa uma década de atuação em 2025, e esse marco proporciona a oportunidade para a rede revisitar sua trajetória, avaliar conquistas e desafios e, principalmente, traçar os caminhos para o futuro. Desde sua criação, em meio ao debate que culminou no Acordo de Paris, a rede se consolidou como um espaço plural de diálogo entre os setores privado, financeiro, acadêmico e da sociedade civil em torno de um objetivo comum: conciliar produção, conservação e justiça climática. Em um momento estratégico para o Brasil e para o mundo, com a realização da Conferência do Clima da ONU (COP 30) no país e a revisão dos compromissos climáticos nacionais em curso, a rede se prepara para uma nova etapa. “O Brasil será cobrado como liderança, e o papel da Coalizão é contribuir com propostas realistas, baseadas em ciência, e que integrem diferentes setores”, comenta Carolle Alarcon, gerente-executiva do movimento.

A seguir, confira a entrevista com Alarcon sobre os planos para celebrar os dez anos da rede, os espaços de escuta e construção coletiva que serão abertos ao longo de 2025 e os temas-chave que devem nortear essa nova fase de atuação.

A Coalizão Brasil completa dez anos neste ano. O que está previsto para marcar essa data tão significativa?
Estamos tratando este momento como uma oportunidade de olhar para dentro e para frente. Teremos uma série de iniciativas ao longo do ano com foco em escutar a rede, discutir os caminhos estratégicos e preparar o movimento para os próximos dez anos. Haverá, sim, um momento simbólico de comemoração, mas nossa prioridade será fortalecer a visão de futuro da Coalizão e sua capacidade de incidência — especialmente com a COP 30 se aproximando.

Como será conduzido esse processo de escuta e visão de futuro?
Já iniciamos reuniões com o Grupo Estratégico (GE), o Grupo Executivo (GX) e o Comitê de Governança. Ainda em abril, faremos uma imersão com os líderes de forças-tarefa para debater diretrizes iniciais. A partir daí, vamos ampliar a escuta para a rede como um todo, por meio de formulários e consultas estruturadas. Esse processo culminará no Encontro de Membros — uma reunião anual online com novos e antigos integrantes do movimento —, que trará uma agenda voltada à identidade da Coalizão, seu papel atual, seus diferenciais e os pontos a aprimorar em termos de governança, sustentabilidade financeira e modelo organizacional.

Como os temas da COP 30 se conectam com esse processo dos dez anos?
A COP 30 será um ponto alto do ano e da nossa trajetória. Esperamos reafirmar nosso compromisso com uma economia de baixo carbono, com a conciliação entre produção e conservação, e com uma atuação propositiva nos temas de clima, biodiversidade e uso da terra. Queremos realizar eventos e produzir um documento-síntese que oriente a atuação da rede e traga contribuições concretas para a agenda climática nacional e internacional.

Quais temas devem ganhar mais protagonismo nas discussões da Coalizão neste ano?
Estamos diante de agendas estratégicas que desembocarão na Conferência do Clima e que têm tudo a ver com as frentes da Coalizão: revisão e implementação da meta climática (NDC), plano nacional do clima, combate ao desmatamento, rastreabilidade de cadeias produtivas e soluções baseadas na natureza. Além disso, temas como restauração, silvicultura de espécies nativas, bioeconomia, Pagamento por Serviços Ambientais e conexão entre biodiversidade e clima serão centrais. O Brasil será cobrado como liderança, e o papel da Coalizão é contribuir com propostas realistas, baseadas em ciência, e que integrem diferentes setores.

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