Com a participação da Coalizão, evento promovido por ministérios teve como foco o avanço de programa voltado ao fortalecimento da produção sustentável e à recuperação de áreas degradadas

O potencial da silvicultura de nativas na recuperação de áreas degradadas foi tema do evento “Florestas de Valor – Oportunidades de Investimento nas Cadeias Produtivas”, promovido pelo governo federal em 21 de março, data em que se celebra o Dia Internacional das Florestas. A Coalizão Brasil participou do encontro.
Organizado pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o encontro teve como foco o avanço do Plano Floresta+ Sustentável, uma iniciativa do Mapa que tem como objetivo impulsionar o setor de florestas plantadas no país por meio do estímulo à produção sustentável, da recuperação de áreas degradadas e do fortalecimento de cadeias produtivas. No final do ano passado, a Coalizão assinou um protocolo de intenções com o ministério e tem colaborado para fortalecer essa agenda.
O evento reuniu representantes do governo, do setor privado e da sociedade civil. Miguel Calmon, colíder da Força-Tarefa (FT) Silvicultura de Nativas da Coalizão, participou de uma das mesas e destacou a relevância do conhecimento técnico e científico já disponível para o avanço do setor.
“Há muitos dados e artigos sobre o tema, e as empresas que investem em restauração, em silvicultura, estão bebendo dessas fontes. Não é preciso esperar vinte anos para ter resultados com espécies nativas. Isso é um mito”, afirmou Calmon, que também é diretor sênior de Programas da Conservação Internacional (CI) no Brasil.
De acordo com Calmon, a silvicultura de nativas manifesta seu potencial tanto na restauração quanto em sistemas produtivos integrados, como agroflorestas, além de ser uma oportunidade de negócio. A atividade se beneficiou por experimentos realizados há quatro décadas por instituições como a Embrapa e pelo know-how acumulado pelo setor de papel e celulose, que se consolidou globalmente a partir do investimento em duas espécies exóticas (pinus e eucalipto).
Além de Calmon, a mesa contou com a participação de Pedro Neto, secretário adjunto de Inovação e Desenvolvimento Sustentável do Mapa; Rita Mesquita, secretária de Biodiversidade do MMA; Moisés Savian, secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); e Garo Batmanian, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).
Calmon enfatizou que, se a restauração e a silvicultura de nativas não fossem viáveis economicamente, não haveria startups e empresas investindo no plantio dessas espécies em milhões de hectares, com aporte de grande volume de recursos financeiros. “A transformação está acontecendo. Demora um pouco, mas se começarmos a silvicultura de nativas hoje, não será preciso esperar muito tempo.”
Em sua participação, Calmon reforçou, ainda, que a Coalizão é um importante ativo da sociedade para consolidar a aliança entre produção florestal, agropecuária e conservação.