04/2025

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Coalizão 10 anos:  rede foca em contribuições para um mundo em transformação

Movimento reforça sua relevância na construção de políticas públicas, no enfrentamento à crise climática e na oferta de alternativas econômicas à destruição ambiental

Plenária da Coalizão em dezembro de 2024. Foto: Luiz Felipe Romano

A Coalizão Brasil chega ao seu décimo ano de existência com uma agenda carregada. Apenas no primeiro trimestre de 2025, contribuiu com duas consultas públicas, lançou publicações sobre sociobioeconomia e silvicultura de espécies nativas e apresentou um levantamento com 12 propostas para o combate ao desmatamento no país. Fundou, ainda, um Grupo de Trabalho (GT) que elaborará propostas para o Plano Clima Participativo, em uma frente que resultará em um documento com a visão da rede sobre a Conferência do Clima de Belém (COP 30).

Outras pautas terão impacto nos próximos meses, como a publicação de novas propostas ligadas à rastreabilidade e transparência de commodities, além de avanços na cocriação de um Observatório voltado a iniciativas de Pagamento por Serviços Ambientais. O Observatório da Restauração e Reflorestamento, por sua vez, prepara uma nova atualização de sua plataforma, nutrido por dados coletados por coletivos atuantes em cada bioma do país. O diálogo com o poder público segue à toda em forças-tarefa como Código Florestal, Concessões Florestais e Mercados de Carbono.

“A Coalizão segue sendo necessária. Estamos longe de resolver os desafios ligados ao uso da terra e à crise climática”, afirma Fernando Sampaio, cofacilitador da rede. “Nosso papel é trazer coerência estratégica para essa agenda, costurando as diferentes políticas e planos — como Clima e Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa) — sob uma visão integrada de futuro.”

O movimento – que, no ano passado, ultrapassou o patamar de 400 membros – se consolidou como espaço de elaboração de propostas concretas para políticas públicas e compromissos nacionais e internacionais.

A atuação da rede ganha ainda mais relevância no atual cenário global, marcado tanto pelo agravamento da crise climática quanto pelo avanço do negacionismo em relação à ação humana sobre os eventos extremos. A falsa dicotomia entre produtividade econômica e conservação ambiental reforça a urgência de agendas voltadas à geração de emprego e renda no campo. É o que faz a Coalizão ao apoiar ou sugerir propostas que buscam dar escala à restauração ecológica e à silvicultura de espécies nativas, entre outros pontos. Em sua publicação mais recente, o movimento elencou contribuições até mesmo para desestimular o desmatamento passível de autorização.

Para a cofacilitadora Karen Oliveira, a COP 30 representará uma oportunidade para amplificar as pautas da Coalizão no debate internacional. “Os eventos internacionais de clima terão um papel central neste ano. A realização da conferência no Brasil é uma oportunidade única para o país mostrar liderança e para que propostas construídas em rede como a nossa ganhem visibilidade e influência”, avalia.

Oliveira, que também é diretora para Políticas Públicas e Relações Governamentais da TNC Brasil, ressalta a vantagem estratégica representada pelo porte da rede: “Somos mais de 400 membros por todo o Brasil. Essa capilaridade é uma das nossas maiores forças. Convido a todos a se engajarem nas forças-tarefa – uma forma concreta de contribuir com a construção coletiva que a Coalizão promove todos os dias.”

Ecoando uma das principais pautas da COP – a destinação de recursos para o combate à crise climática –, a Coalizão ampliou sua participação em debates sobre mecanismos de financiamento da transição climática.

“É preciso dar clareza sobre os instrumentos que vão viabilizar essa mudança: mercados de carbono, crédito rural, fundos públicos e mecanismos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês)”, ressalta Sampaio, que também é diretor de Sustentabilidade da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).

Reestruturação interna

No plano interno, a Coalizão tem aprimorado sua transparência com iniciativas como os Encontros de Membros, um espaço de acolhimento de novos integrantes. Também fortaleceu sua governança e passou por renovações nas lideranças do Grupo Estratégico (GE), do Grupo Executivo (GX) e das Forças-Tarefa (FTs). As mudanças reforçaram o equilíbrio entre setores e o amadurecimento institucional da rede.

Além da atuação propositiva, a Coalizão também investe em escuta e planejamento. “Este é um momento de construção conjunta. Iniciamos 2025 com uma imersão entre lideranças para pensar o futuro da rede, que seguirá com uma consulta mais ampla aos membros e deve culminar em nosso Encontro Anual”, revela Carolle Alarcon, gerente-executiva do movimento. (Leia a entrevista com ela aqui).

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