Erradicação do desmatamento e engajamento de membros à agenda agroambiental estão entre os desafios para a próxima década

Dez anos após sua criação, a Coalizão Brasil deve entrar em uma nova fase. Após uma trajetória marcada pela contribuição decisiva à formulação de políticas públicas, a rede precisa concentrar esforços na próxima década em transformar suas propostas em práticas concretas para o uso sustentável da terra e o fim do desmatamento. A avaliação é de Juliana Lopes e João Adrien – colíderes, respectivamente, das forças tarefas Bioeconomia e Código Florestal.
Lopes espera que, até 2035, o Brasil já tenha zerado o desmatamento ilegal e esteja entregando, de fato, seus compromissos climáticos. “Isso sem perder de vista a prosperidade econômica, sem deixar ninguém para trás. E, também, conservando os nossos hábitats terrestres e aquáticos”, sublinha.
A Conferência do Clima (COP 30), que ocorrerá este ano, em Belém, ajudará o país a avançar nesse caminho, ressalta ela, que também é diretora de Natureza e Sociedade do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).
“As crises do clima, da perda da biodiversidade e da escalada de desigualdades sociais são simultâneas. Assim, a COP vai evidenciar o quanto precisamos de soluções integradas na perspectiva de clima, natureza e pessoas. O Brasil tem a chance de se posicionar como grande provedor de soluções a grandes desafios, como a mudança no uso da terra”, destaca.
Lopes avalia que, na última década, houve avanço no entendimento de que é possível conservar e produzir ao mesmo tempo, sem avançar sobre a vegetação nativa. Há, no entanto, uma série de desafios, como em iniciativas para comando e controle contra o desmatamento. Nesse cenário, a Coalizão deveria fortalecer ainda mais o trabalho de construção coletiva e de convergência: “É preciso atuar não só no campo do debate e das ideias, mas da implementação, dando esse passo na cocriação de soluções coletivas e concretas”, completa ela.
A mesma perspectiva é compartilhada por João Adrien, colíder da Força-Tarefa Código Florestal e membro do Grupo Executivo (GX) da rede. “Passamos os últimos dez anos contribuindo com a construção de políticas públicas e de compromissos como o Acordo de Paris. Acredito que a próxima década deve ser dedicada à implementação dessas medidas.”
Adrien ressalta que iniciativas como o Código Florestal têm potencial para “transformar a realidade” do país, se forem efetivamente retiradas do papel. Para isso, cabe à Coalizão atuar fortemente junto ao Poder Executivo.
Entre os desafios dos próximos anos, de acordo com Adrien, está o controle do desmatamento. “Há uma reflexão que precisa ser fortalecida, que é o quanto esta prática prejudica o valor das commodities, o preço das terras e o ciclo da chuva, que influenciam na produtividade no campo”, explica.
Outra tarefa para a Coalizão, segundo o colíder, será se manter relevante, especialmente no engajamento de atores do setor privado em torno da agenda agroambiental.
“Precisamos ser vistos, cada vez mais, como uma plataforma de implementação, que cria condições para as agendas acontecerem”, defende o colíder. “O futuro é muito promissor, porque o que estamos propondo é uma economia de base renovável, que tem condições de atender a necessidade de fonte de energia e matérias-primas renováveis.”