Material retrata histórias, pesquisas e parcerias em sítios dedicados à atividade econômica na Mata Atlântica e Amazônia

O Programa de Pesquisa & Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) completa, em 2025, seu segundo ano de implantação de sítios de estudos na Mata Atlântica e Amazônia. Para mostrar o andamento dos trabalhos, coordenadores do PP&D-SEN visitaram, no início de maio, o sítio localizado em Porto Seguro (BA), acompanhados por uma equipe de gravação.
Na última quinta-feira (11), foi publicado no YouTube e nas redes sociais (Facebook, Instagram e LinkedIn) da Coalizão o primeiro vídeo, de uma série de quatro referentes a essa visita, mostrando o viveiro que foi um dos fornecedores de mudas para o PP&D-SEN e explicando o caminho das sementes até o plantio.
Nas próximas semanas de junho e julho, outros três vídeos serão lançados, contando histórias de pessoas que tiveram a vida transformada pela silvicultura de nativas e apresentando os polos de pesquisa do Sul da Bahia e de Belterra, no Pará, uma parceria com a Embrapa Amazônia Oriental.
O sítio de estudos em Porto Seguro é o primeiro no bioma Mata Atlântica, e o segundo de uma rede de 20 que serão implantados no bioma e na Amazônia. Neles serão analisadas espécies mapeadas pelo PP&D-SEN segundo seu potencial econômico, entre outros fatores.
O primeiro sítio ligado ao programa, localizado em Porto Velho (RO), foi o tema de uma série de vídeos lançados em 2024.
Sítios e polos para o desenvolvimento da silvicultura
Em Porto Seguro, o sítio de estudos é desenvolvido em parceria com a Symbiosis, em uma fazenda da própria empresa no distrito de Trancoso. Ali foram plantadas espécies como pau-brasil, jacarandá-da-bahia, ipê felpudo, louro-pardo e vinhático.
Para cada sítio implementado, a proposta prevê que o programa revitalizará polos de referência com plantações antigas de espécies nativas, a fim de viabilizar estudos comparativos.
Na região, o polo selecionado fica na Estação Ecológica do Pau-Brasil (Espab), área federal cedida para estudos à Universidade Federal do Sul da Bahia, uma das parceiras do PP&D-SEN, pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). A Espab foi criada no fim dos anos 1970 como lugar para proteção do pau-brasil, e as espécies nativas começaram a ser plantadas ali no final dessa década e início da seguinte. Além do pau-brasil, ali encontram-se árvores adultas de jacarandá-da-bahia, vinhático e outras nativas.
“Cada polo de referência do PP&D-SEN é estabelecido em parceria com uma universidade. Isso porque o objetivo é que sejam desenvolvidos estudos nesses locais. Por isso, não somente professores são envolvidos, mas também estudantes da graduação, mestrado e doutorado, para que eles possam produzir pesquisa e desenvolver conhecimento em silvicultura de nativas nessas áreas experimentais”, explica Daniel Piotto, professor da UFSB e um dos coordenadores do programa.
Além da pesquisa científica, o objetivo é também desenvolver produtos e novos mercados a partir da silvicultura de nativas. “Estamos buscando gerar informações que possam ser utilizadas pelos setores privado e público para fomentar a criação de novos negócios. E, além disso, a produção de madeira a partir de árvores plantadas contribui para diminuir a pressão do desmatamento nas florestas naturais”, afirma Piotto.
Neste ano, o PP&D também realizou um mapeamento na Amazônia para definir áreas prioritárias onde cada uma das 15 espécies escolhidas pelo programa pode se desenvolver melhor. “Levamos em conta as condições climáticas naturais e as mudanças climáticas em cada local”, explica Miguel Calmon, coordenador do programa e colíder da Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão. “Agora poderemos desenvolver diferentes modelos de negócios para cada área e apresentar esses resultados para atrair investimentos e financiamento para a silvicultura na região.”
Segundo Calmon, que também é diretor sênior de Programas da Conservação Internacional (CI) Brasil, o momento é de grande oportunidade para o país: “Estamos vendo o desenvolvimento de uma nova economia florestal no Brasil.”
O PP&D-SEN foi lançado pela Coalizão e parceiros em 2021, com o objetivo de impulsionar pesquisa e tecnologia para o setor de silvicultura de espécies nativas.
Em 2023, o PP&D-SEN recebeu um aporte de US$ 2,5 milhões do Bezos Earth Fund para implantação de sítios de pesquisa e polos de referência.Projeto de silvicultura de espécies nativas lança segunda série de vídeos